Novas escavações em torno da Capela Real de São Pedro ad Vincula, no recinto da Torre de Londres, permitiram aos arqueólogos descobrir mais de 20 sepulturas até agora desconhecidas.
Depois de uma sondagem realizada em 2019, esta é a primeira grande escavação arqueológica no local histórico em três décadas e a primeira de sempre nesta zona do recinto, segundo a Historic Royal Palaces, instituição de solidariedade independente responsável pela conservação do monumento.
“A realização destas duas escavações deu-nos uma oportunidade única numa geração para aprofundar o conhecimento sobre a evolução da Capela de São Pedro ad Vincula e dos edifícios que a antecederam”, afirma Alfred Hawkins, conservador de edifícios históricos da Historic Royal Palaces.
Um acesso à capela da Torre de Londres abre caminho às escavações
Ao longo de mil anos de história, a Torre de Londres desempenhou funções diversas: foi um complexo prisional que acolheu membros da realeza, um palácio e uma fortaleza destinada a proteger as Joias da Coroa. Atualmente, recebe turistas, mas o seu solo continua a guardar muitos segredos.
É provável que muitos permaneçam enterrados. Contudo, a instalação de um novo elevador para melhorar o acesso dos visitantes à capela, com 500 anos, criou uma oportunidade rara de investigação.
No Reino Unido, a lei exige que qualquer obra de grande dimensão seja precedida de uma avaliação arqueológica, para proteger e preservar a história antiga da ilha. Em 2019, os arqueólogos fizeram uma sondagem experimental no exterior da capela, onde encontraram os restos mortais de duas pessoas que provavelmente integravam a comunidade da Torre no século XVI da era comum.
Sepulturas e objetos funerários de várias épocas
No início deste ano, a empresa de arqueologia Pre-Construct Archaeology iniciou os trabalhos de maior dimensão no exterior da capela. Até agora, foram encontrados restos mortais de mais de 20 pessoas, entre os quais um grupo do século XIV que poderá ter sido enterrado numa sepultura associada à peste.
Outros quatro enterramentos, datados do século XII ou XIII, foram feitos em caixões. Esta prática era muito invulgar na época e pode indicar que as pessoas sepultadas tinham um estatuto social elevado.
Foram também descobertos objetos funerários raros, incluindo tecido de uma mortalha, um material que normalmente se decompõe, e recipientes com carvão, um tipo de objeto funerário conhecido apenas numa outra sepultura medieval inglesa.
Vestígios de antigas capelas
Os arqueólogos encontraram ainda provas da história do próprio local, entre elas os restos carbonizados de uma versão anterior da capela, construída por Eduardo I na década de 1280 e destruída por um incêndio em 1512. Por baixo desses vestígios, uma camada de pedra sugere que poderão ter existido obras ainda mais antigas, talvez durante a reconstrução levada a cabo por Henrique III em 1240.
Os trabalhos continuam, pelo que poderão ser descobertas mais sepulturas antes de a investigação no terreno terminar. Seguir-se-á a análise minuciosa dos restos mortais, para procurar saber quem eram estas pessoas e por que morreram.
“Já estamos a conhecer melhor os habitantes da Torre de uma forma que nunca antes nos tinha sido possível”, diz Jane Sidell, arqueóloga da organização Historic England.
“Mas esta é apenas a ponta do icebergue: há muito mais a descobrir, através de análises adicionais, tanto sobre as pessoas como sobre os edifícios de um dos monumentos históricos mais evocativos de Inglaterra.”






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