Saltar para o conteúdo
Notícias

United Airlines reforça as regras dos auscultadores e pode excluir passageiros dos voos

Assistente de voo serve passageiro com tablet, outros passageiros usam auscultadores no avião.
Neste artigo
  1. O que muda a bordo da United Airlines
  2. Porque estão as companhias aéreas a ser mais rigorosas
  3. O que fazem as outras companhias aéreas
  4. Que consequências enfrentam os passageiros que se recusam a cumprir?
  5. Porque incomoda tanto o ruído no avião
  6. O que significa para viajantes de países de língua alemã
  7. Cortesia acima das nuvens: mais do que uma questão de som

Uma grande companhia aérea norte-americana está a tornar mais rigorosas as regras a bordo e, pela primeira vez, inscreve-as expressamente no contrato de transporte: quem reproduzir som em alta voz e se recusar a usar auscultadores pode ser impedido de viajar. A medida pretende travar o ruído incómodo que estraga a viagem aos restantes passageiros.

O que muda a bordo da United Airlines

No final de fevereiro, a United Airlines acrescentou uma nova cláusula às suas condições de transporte. O texto estabelece expressamente que os passageiros só podem reproduzir conteúdos áudio, como música, vídeos das redes sociais ou filmes, com auscultadores ou auriculares.

Quem se recusar a usar auscultadores depois de lhe ser pedido pode ser impedido de embarcar ou, em casos extremos, obrigado a sair do avião.

Até agora, esta regra surgia apenas como um pedido de cortesia nos anúncios a bordo ou nas informações sobre o Wi-Fi do avião. A companhia transformou-a numa cláusula contratual de redação mais rigorosa, dando à tripulação uma base mais clara para lidar com passageiros que perturbam os outros ao usar o telemóvel no volume máximo.

Quem se esquecer dos auscultadores em casa não terá necessariamente problemas imediatos. A United sublinha que pode disponibilizar auscultadores gratuitos a bordo, enquanto houver unidades disponíveis. Se, mesmo assim, o passageiro se recusar a utilizá-los, estará a desafiar deliberadamente as regras.

Porque estão as companhias aéreas a ser mais rigorosas

Nos Estados Unidos, multiplicam-se há anos as notícias sobre incidentes em aviões. A autoridade de aviação FAA contabilizou mais de 1.600 casos de comportamento perturbador em voos num único ano. Nem todos envolvem ruído ou telemóveis, mas o ambiente a bordo está, em alguns casos, tenso.

A United Airlines pretende, por isso, enviar um sinal claro: jogar, ver conteúdos em transmissão contínua ou assistir a vídeos de pessoas a lavar os dentes em volume alto, sem consideração pelos outros, deixa de ser visto como um simples incómodo e passa a constituir uma infração às regras. Um especialista em viagens descreve a novidade como uma forma educada, mas firme, de lidar com um pequeno grupo de passageiros que simplesmente não quer comportar-se.

A maioria das pessoas respeita as normas habituais de convivência no avião; a regra dirige-se a uma minoria ruidosa.

Há ainda um dado digno de nota: especialistas do setor consideram que a United está entre as primeiras grandes companhias aéreas a anunciar expressamente no contrato sanções por incumprimento das «regras de etiqueta dos auscultadores». Até aqui, eram habituais apenas recomendações gerais de consideração pelos outros.

O que fazem as outras companhias aéreas

Quem viaja frequentemente de avião já conhece há muito o aviso: «Utilize auscultadores com os seus dispositivos eletrónicos.» Muitas companhias incluem instruções deste género nos respetivos sites ou apresentam-nas nos vídeos exibidos a bordo. A Delta, por exemplo, pede de forma muito clara na internet que se usem auscultadores por respeito aos restantes passageiros.

Outras transportadoras também esclarecem que os conteúdos audiovisuais são bem-vindos a bordo, desde que todos respeitem as regras básicas de cortesia e as instruções da tripulação. Na maioria dos casos, porém, faltava o passo seguinte: prever consequências concretas para quem se opusesse deliberadamente.

Com a nova redação contratual, a United toma agora a dianteira. Se a solução se revelar útil, as concorrentes poderão sentir maior pressão para a seguir. As companhias veem um potencial crescente de conflitos sobretudo nos voos de médio curso com lotação completa, onde muitas pessoas assistem a vídeos no telemóvel.

Que consequências enfrentam os passageiros que se recusam a cumprir?

As medidas possíveis vão de um simples lembrete cordial à exclusão do transporte. Na prática, o processo decorrerá provavelmente da seguinte forma:

  • Um membro da tripulação aborda primeiro o passageiro e pede-lhe que utilize auscultadores.
  • Se a pessoa recusar, recebe uma segunda instrução, mais firme.
  • Caso continue a recusar, podem ser tomadas medidas mais rigorosas, como mudá-la de lugar ou informar o piloto.
  • Em último recurso, a companhia pode impedir o embarque ou exigir que o passageiro saia do avião antes da descolagem.

A razão é que quem não respeita as instruções da tripulação é considerado um «passageiro perturbador». Aplicam-se então regras de segurança que vão muito além do simples conforto. A bordo, as instruções da tripulação de cabina têm um peso jurídico especial.

Porque incomoda tanto o ruído no avião

Muitas pessoas pensam: «É só um bocadinho de som do telemóvel, que mal faz?» Mas, dentro do espaço estreito de um avião, o ruído tem um efeito muito diferente do que teria numa sala de estar. O barulho da cabina, as filas de assentos apertadas, a dificuldade em afastar-se e a escassa privacidade contribuem para isso. Quem está sentado ao lado de um telemóvel que emite som constantemente não pode simplesmente levantar-se e ir para outra divisão.

Além disso, as fontes de ruído são cada vez mais variadas. Entre os exemplos habituais a bordo contam-se:

  • Telemóveis a reproduzir vídeos das redes sociais em volume alto
  • Séries ou filmes vistos em tablets sem auscultadores
  • Jogos com efeitos sonoros em volume elevado
  • Chamadas de voz ou vídeo antes da descolagem ou durante a circulação em pista

Quanto mais pessoas usarem meios digitais ao mesmo tempo, mais o ruído se acumula. Muitos passageiros sentem, por isso, mais stress, dormem pior ou entram em conflito com maior facilidade. As companhias aéreas procuram atenuar estas situações o mais cedo possível, de preferência antes de se agravarem.

O que significa para viajantes de países de língua alemã

Quem viaja da Alemanha, da Áustria ou da Suíça com companhias aéreas norte-americanas fica automaticamente sujeito às condições de transporte dessas empresas. A nova cláusula aplica-se, assim, também aos passageiros europeus que voem com a United. Quem reproduzir vídeos em volume alto durante o embarque ou dentro do avião deve contar com uma chamada de atenção.

Ao mesmo tempo, é provável que muitos passageiros recebam bem regras mais rigorosas. Nos voos de longo curso, poucas coisas provocam tanta frustração como um telemóvel na fila ao lado a repetir canções infantis sem parar. A perspetiva de a tripulação dispor agora de um argumento bastante mais forte poderá contribuir para cabinas mais tranquilas.

Como viajar com mais tranquilidade, com ou sem a nova regra

Mesmo quando uma companhia não prevê sanções específicas, um pequeno código de conduta pessoal pode ajudar. Bastam algumas medidas simples para não irritar os restantes passageiros:

  • Levar sempre auscultadores e, idealmente, um segundo par económico de reserva.
  • Ajustar o volume de modo que as pessoas ao lado não ouçam nada.
  • Evitar sempre chamadas de voz e vídeo a bordo.
  • Estabelecer com as crianças regras claras para o uso do tablet ou do telemóvel, incluindo a utilização de auscultadores.
  • Estar recetivo aos avisos da tripulação e das pessoas sentadas ao lado.

Quem é particularmente sensível ao ruído pode recorrer a auscultadores com cancelamento de ruído, tampões para os ouvidos ou sons suaves, como o mar ou ruído branco. Estas opções reduzem significativamente o stress, sobretudo nos voos noturnos.

Cortesia acima das nuvens: mais do que uma questão de som

O debate sobre os auscultadores representa um tema mais amplo: a consideração pelos outros no avião. Apoios de braços, encostos dos assentos, compartimentos de bagagem e odores são fontes frequentes de tensão. As companhias incluem cada vez mais regras de comportamento nos contratos, em resposta à rápida evolução da tecnologia e dos hábitos dos passageiros.

Os telemóveis tornaram o consumo de conteúdos em transmissão contínua uma presença constante, enquanto as redes sociais favorecem vídeos curtos e ruidosos. Esta cultura encontra agora um espaço limitado, sujeito a regras de segurança rigorosas. As novas cláusulas das condições de transporte procuram estabelecer limites antes que os conflitos se agravem.

No fundo, a regra é simples: quem não impuser o seu som aos outros passageiros não tem de recear ser retirado do avião. A nova orientação da United recorda sobretudo que, mesmo a 10.000 metros de altitude, a liberdade de cada um termina onde começam os ouvidos dos vizinhos.

Últimos artigos

Miguel Ângelo Ferreira

Miguel Ângelo Ferreira é guia de natureza certificado e fotógrafo de paisagem, especializado no Parque Nacional da Peneda-Gerês e nos seus percursos pedestres. Dedica-se à divulgação responsável das cascatas, lagoas e trilhos do Gerês, aliando conhecimento do património natural local a práticas de turismo sustentável e seguro.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário