A investigação continuada da Parques de Sintra identificou a ala do Palácio Nacional de Queluz em que D. Carlota Joaquina passou os últimos anos e morreu, em 1830, aos 54 anos. Situado junto à Sala do Trono, o espaço apresenta uma nova museografia com peças pertencentes à rainha, algumas delas expostas ao público pela primeira vez.
Os aposentos de D. Carlota Joaquina em Queluz
O trabalho de investigação histórica da Parques de Sintra esclareceu onde se encontravam os aposentos ocupados por D. Carlota Joaquina no fim da vida, contrariando a informação de que a rainha teria morrido no Pavilhão Robillion. Não foi descoberta uma zona até então desconhecida do palácio: o aprofundamento do conhecimento sobre o edifício permitiu identificar com rigor os espaços ligados à vida da monarca.
Localizada no piso térreo, perto da Sala do Trono, a ala foi valorizada por um novo projeto museográfico dedicado à dimensão mais privada da rainha. O percurso passa por cinco salas: Sala de Entrada, Ante-Câmara, Oratório, Câmara ou Quarto de Dormir e Camarim, este último usado como sala de estar privada.
“Esta descoberta dá-nos uma leitura mais rigorosa do edifício e permite-nos compreender melhor a forma como uma vida se inscreveu nele”, afirma João Sousa Rego, presidente do conselho de administração da Parques de Sintra. Na sua perspetiva, a investigação ajuda a aproximar os visitantes da dimensão humana da História.
Peças da rainha regressam ao palácio
O mobiliário, as pinturas e os objetos devocionais e decorativos apresentados nos aposentos incluem peças recentemente adquiridas pela Parques de Sintra, agora mostradas pela primeira vez.
Entre elas encontra-se uma cruz-relicário do Santo Lenho, produzida em Itália no início do século XIX e ornamentada com uma representação escultórica da “Piedade”, de Miguel Ângelo. A peça pertenceu a D. Carlota Joaquina e figurava nos inventários dos seus aposentos, mas o seu paradeiro era desconhecido desde a venda em leilão que se seguiu à morte da rainha. Reconhecida pela equipa da Parques de Sintra num novo leilão, foi adquirida e regressou ao palácio quase dois séculos depois.
Retratos de D. Carlota Joaquina e da família
O percurso apresenta ainda um retrato da rainha da autoria de Luis de la Cruz y Ríos. A pintura representa-a nos últimos anos de vida, usando um toucado de rendas enfeitado com cravos e espigas de trigo. Pode também ver-se um retrato de D. Miguel I, atribuído a João Baptista Ribeiro e realizado entre 1828 e 1830, que mostra o filho apoiado por D. Carlota Joaquina na defesa da causa absolutista.
Duas pinturas cedidas pelo Museu Nacional Machado de Castro, até agora nunca apresentadas ao público, integram igualmente a museografia: um retrato de D. Carlota Joaquina como princesa do Brasil e outro de D. Pedro Carlos de Bourbon e Bragança, sobrinho da rainha que habitou estes aposentos antes dela.
Uma vida ligada ao Palácio de Queluz
D. Carlota Joaquina nasceu em Espanha, em 1775, e chegou a Portugal com dez anos para casar com o infante D. João, que viria a ser D. João VI. Queluz esteve presente em várias fases da sua vida, da infância à vida familiar e a parte da permanência da corte em Portugal, antes da partida para o Brasil, em 1807. Em 1821, a rainha voltou ao palácio.
Já doente, nos últimos anos, abandonou os aposentos do andar superior, destruídos no incêndio de 1934, e mudou-se para o piso térreo. A investigação concluiu que morreu em 1830 nesta ala, agora identificada e musealizada.
O projeto envolveu um investimento de cerca de 150 mil euros em conservação e restauro, aquisição de peças e museologia. Segundo a Parques de Sintra, a intervenção procura disponibilizar o conhecimento resultante da investigação e preservar testemunhos da História para as gerações futuras.






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