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Como Tanera Mòr foi transformada com 135 milhões de dólares

Pessoa a plantar muda de árvore numa encosta verde perto de casas e barco ancorado no mar ao entardecer.
Neste artigo
  1. Porque estava Tanera Mòr a desaparecer enquanto comunidade?
  2. Como o reflorestamento de mais de 100 mil árvores alterou a paisagem?
  3. O que mudou nas casas e nos edifícios abandonados?
  4. De que forma a recuperação da ilha gerou emprego?
  5. Tanera Mòr continua a ser uma ilha privada de um miliardário?

Quando o miliardário britânico Ian Wace adquiriu Tanera Mòr, ao largo da costa noroeste da Escócia, em 2017, deparou-se com uma ilha de população escassa, edifícios ao abandono e grandes extensões de terreno degradado. A compra rondou 1,7 milhões de libras - aproximadamente 2,2 milhões de dólares à data -, mas representou apenas o ponto de partida de um plano de regeneração no qual já foram aplicados cerca de 100 milhões de libras, ou 135 milhões de dólares.

Porque estava Tanera Mòr a desaparecer enquanto comunidade?

Tanera Mòr, a maior das Summer Isles, tem cerca de 800 acres, o equivalente a aproximadamente 324 hectares. Ao longo de séculos, acolheu comunidades cuja subsistência dependia sobretudo da pesca e chegou a dispor de uma relevante estação de arenque, inaugurada em 1784. Porém, o declínio dessa actividade e a partida progressiva dos residentes deixaram habitações e outras estruturas vazias, provocando uma acentuada redução populacional.

Wace conheceu a ilha quando esta se encontrava à venda, vindo a comprá-la alguns anos mais tarde. Em vez de a converter exclusivamente num retiro privado, avançou com um projecto destinado a recuperar edifícios, infra-estruturas, agricultura, natureza e actividades comunitárias. Desde a aquisição, em 2017, a transformação de Tanera Mòr decorre em várias áreas em simultâneo.

  • Foram recuperados mais de 50 edifícios antigos;
  • Foram plantadas mais de 100 mil árvores;
  • Antigas terras agrícolas voltaram a ser aproveitadas;
  • Estradas, trilhos e infra-estruturas foram reconstruídos;
  • Novos espaços comuns começaram a acolher trabalhadores e visitantes.

Como o reflorestamento de mais de 100 mil árvores alterou a paisagem?

O reflorestamento passou a ser uma das vertentes mais evidentes da intervenção. Foram plantadas mais de 100 mil árvores para restaurar zonas arborizadas e expandir habitats. Em paralelo, oito lagoas e centenas de plantas aquáticas contribuíram para criar cerca de 1,5 milhões de litros de habitat de água doce. Foram igualmente recuperados cerca de 28 acres de antigas terras agrícolas, aproximadamente 11 hectares.

O que mudou nas casas e nos edifícios abandonados?

Mais de 50 construções, incluindo casas históricas e outras estruturas, foram reabilitadas. A intenção não consistia em demolir tudo para erguer um empreendimento contemporâneo, mas sim em conservar características da arquitectura já existente, dotando simultaneamente os espaços das condições necessárias para voltarem a ser utilizados.

A intervenção estendeu-se também às infra-estruturas. Foram construídos cerca de 7,2 quilómetros de estradas, bem como caminhos que ligam várias partes da ilha. Uma antiga pedreira foi convertida num centro com escritórios, alojamentos e oficinas, e Tanera passou a contar com locais como um pub, uma capela, um estúdio de arte, um cinema, um ginásio e uma cozinha comunitária.

  • As casas históricas foram restauradas e receberam novas funções;
  • Uma antiga pedreira passou a ser um local de trabalho e convívio;
  • As oficinas retomaram actividades artesanais tradicionais;
  • Um tear restaurado começou a produzir tweed associado à ilha;
  • Foram criadas zonas comuns para aproximar quem trabalha e permanece em Tanera.

De que forma a recuperação da ilha gerou emprego?

O projecto passou a envolver trabalhadores oriundos de várias zonas das Highlands escocesas. Mais de 60% da equipa a tempo inteiro é proveniente da região e, em certos períodos, Tanera pode ter aproximadamente 150 pessoas a trabalhar ou alojadas na ilha. A iniciativa procura ainda manter vivas actividades tradicionais, entre as quais a tecelagem, o fabrico de velas, a panificação, a agricultura e o restauro de embarcações.

Tanera Mòr continua a ser uma ilha privada de um miliardário?

Em 2020, Tanera foi transferida para uma estrutura de beneficência, reforçando a aposta na regeneração, na resiliência e no restauro. A ilha começou igualmente a receber profissionais de serviços públicos, incluindo trabalhadores da saúde, agentes policiais e membros das Forças Armadas britânicas; mais de 1.300 pessoas já participaram nestas estadias de recuperação.

A transformação permanece em curso, embora a diferença face a 2017 seja evidente. As casas abandonadas voltaram a ter utilidade, os terrenos agrícolas e os habitats foram recuperados, dezenas de milhares de árvores cresceram em áreas antes degradadas e os novos espaços devolveram circulação de pessoas à ilha. Os cerca de 135 milhões de dólares investidos converteram Tanera Mòr num caso invulgar de recuperação ambiental, económica e comunitária numa pequena ilha escocesa.

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Miguel Ângelo Ferreira

Miguel Ângelo Ferreira é guia de natureza certificado e fotógrafo de paisagem, especializado no Parque Nacional da Peneda-Gerês e nos seus percursos pedestres. Dedica-se à divulgação responsável das cascatas, lagoas e trilhos do Gerês, aliando conhecimento do património natural local a práticas de turismo sustentável e seguro.

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