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Parque das Serras do Porto: Quercus e Campo Aberto defendem floresta autóctone

Homem a plantar uma árvore jovem numa colina ensolarada com cidade e rio ao fundo.
Neste artigo
  1. Parque das Serras do Porto: um potencial para além da natureza urbana
  2. Eucaliptal e floresta autóctone nas Serras do Porto
  3. Serviços de ecossistema essenciais para o Porto

Parque das Serras do Porto: um potencial para além da natureza urbana

Para a associação ambientalista Quercus, o Parque das Serras do Porto representa "uma mais-valia". Já a associação portuense Campo Aberto destaca o trabalho de substituição de áreas de eucaliptal por floresta autóctone.

A Quercus valoriza a iniciativa. Pedro Sousa, do Núcleo do Porto, defendeu: "Apesar do Porto ter alguns espaços verdes interessantes, há realmente um potencial neste parque, onde se consegue ter um contacto com a natureza muito diferente do que é a natureza urbana".

Sediada na Rua de Santa Catarina, no centro do Porto, a Campo Aberto conhece bem o território enquanto "vizinha". José Manuel Marques, dirigente da associação, recordou: "Mesmo antes da fundação do Parque, fizemos caminhadas e iniciativas naquilo que viria a ser o parque, particularmente nas zonas dos fósseis. E temos feito isso com alguma frequência, mas isso chega a 20 ou 30 pessoas". Sobre o reconhecimento deste património pelos habitantes da cidade, acrescentou: "Em relação à população do Porto penso que não há grande atenção a esse valor. Mas é só uma suposição minha".

Eucaliptal e floresta autóctone nas Serras do Porto

Pedro Sousa apontou a serra de Santa Justa, a mais próxima do Porto, como exemplo de uma área que "sempre foi bastante interessante até em termos geológicos e, isso manteve-se". Embora esse valor não se tenha perdido, afirmou que "com a intensificação do eucaliptal deixou de ter tanto interesse para as pessoas visitarem".

O responsável da Quercus no Porto identificou o eucalipto como o principal problema do Parque, "não só pela pela presença, mas também pela extensão e pela falta, muitas vezes, de gestão".

José Manuel Marques sustenta que "o ideal era desenvolver a ocupação do território por espécies arbóreas autóctones, o que implica, quando possível, a erradicação do eucaliptal e do pinheiro". O fundador da Campo Aberto reconhece que esta "é também a opinião das pessoas mais empenhadas" no projeto e entende que este é o "caminho não só para o Parque das Serras do Porto, mas para muitas outras regiões."

A Quercus considera que "a reconversão de algumas áreas de eucalipto e acácias é sempre bem-vinda", sobretudo em serras "praticamente tomadas pelo pelo eucalipto", consideradas perigosas e com reduzido retorno económico. "Com bosques biodiversos há um potencial de serviços de ecossistema muito superior, ao nível da biodiversidade e à resiliência aos incêndios florestais", explica.

Serviços de ecossistema essenciais para o Porto

Pedro Sousa defende que "É preciso transmitir à população do Porto que existem serviços de ecossistema que estão a ser produzidos naquela serra, que são super-importantes para a própria cidade, como a regulação do ciclo da água e também a absorção de carbono".

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Miguel Ângelo Ferreira

Miguel Ângelo Ferreira é guia de natureza certificado e fotógrafo de paisagem, especializado no Parque Nacional da Peneda-Gerês e nos seus percursos pedestres. Dedica-se à divulgação responsável das cascatas, lagoas e trilhos do Gerês, aliando conhecimento do património natural local a práticas de turismo sustentável e seguro.

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