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Como um Boeing 737 se tornou num recife artificial no Canadá

Avião submerso no fundo do mar com mergulhador a explorar e peixes coloridos à volta.
Neste artigo
  1. Como é que um Boeing 737 acabou no fundo do mar?
  2. De que forma se tornou a aeronave num habitat marinho?
  3. Que trabalhos prepararam o avião para a imersão?
  4. Que organismos vivem hoje no avião submerso?
  5. Porque é vantajosa a criação de recifes artificiais?

Os fundos marinhos escondem transformações ecológicas notáveis, capazes de converter antigas máquinas criadas pelo ser humano em autênticos santuários aquáticos. Em vários pontos do mundo, iniciativas de recuperação recorrem a estruturas industriais para formar refúgios permanentes, nos quais a vida prospera e ajuda a regenerar o oceano de forma extraordinária.

Como é que um Boeing 737 acabou no fundo do mar?

Fabricado nos anos setenta, este avião a jato comercial acumulou milhares de horas de voo em companhias aéreas canadianas antes de ser definitivamente retirado de serviço. Em vez de a fuselagem metálica ser descartada, voluntários trabalharam durante anos para tornar possível um pioneiro projeto de recife artificial no litoral do Canadá.

A aeronave desativada foi colocada cuidadosamente perto de Chemainus, na posição vertical e assente em suportes sólidos no leito submarino. Como a zona tinha um fundo arenoso e escassa vegetação natural, a enorme estrutura revelou-se ideal para a fixação de espécies e para atrair peixes nativos.

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De que forma se tornou a aeronave num habitat marinho?

Pouco depois do afundamento controlado, organismos pioneiros começaram a ocupar as superfícies exteriores e interiores do avião. Anémonas plumosas e ofiuróides passaram a cobrir as janelas sem vidro, enquanto o interior da cabine começou a oferecer abrigo protegido das correntes a pequenos animais marinhos.

Por estar elevada, a fuselagem deixou a água circular sem obstáculos, criando condições propícias ao crescimento de invertebrados bentónicos. Ao longo dos anos, a estrutura de alumínio integrou-se por completo na natureza envolvente e passou a desempenhar a função de um dinâmico ecossistema submerso.

Em baixo, encontra-se um vídeo do canal ScubaBC no YouTube, que explora detalhadamente a vida marinha existente no recife artificial:

Que trabalhos prepararam o avião para a imersão?

Antes de seguir para o leito marinho, o avião foi submetido a um rigoroso processo de limpeza técnica. Técnicos removeram cablagem elétrica, óleos hidráulicos e isolamentos térmicos, impedindo a libertação de substâncias tóxicas e assegurando a segurança daquele ambiente aquático.

Foram ainda abertas passagens estratégicas nas asas e na cabine, permitindo a entrada de luz moderada e a circulação contínua da água. Estas alterações estruturais favoreceram a colonização por organismos e criaram percursos seguros para os mergulhadores que visitam este histórico património submarino.

Fases da preparação ecológica

Etapas para a vida submarina

A adaptação da aeronave exigiu várias intervenções essenciais:

  1. Limpeza aprofundada, com a remoção de tintas tóxicas e de materiais poluentes;
  2. Abertura de acessos largos na fuselagem, para permitir a entrada de luz e de espécies marinhas;
  3. Colocação de bases de suporte elevadas, destinadas a estabilizar o avião no fundo do mar.

Que organismos vivem hoje no avião submerso?

Várias espécies encontraram neste recife condições adequadas para se reproduzirem e alimentarem. Já foram identificados mais de cem tipos de organismos no local, convertendo os antigos assentos e as asas num habitat ativo, rico em biodiversidade marinha.

Grandes cardumes usam os compartimentos internos como viveiro, protegendo-se de predadores de maior dimensão, enquanto os polvos ocupam pequenas cavidades da fuselagem. O crescimento contínuo de esponjas e anémonas reveste as superfícies de cores intensas, fazendo deste local um ponto turístico cativante.

A lista seguinte reúne os principais grupos de animais que colonizaram a estrutura submersa:

  • Anémonas gigantes e esponjas que cobrem quase toda a parte exterior da fuselagem;
  • Peixes de fundo que encontram refúgio permanente na sombra das asas;
  • Crustáceos e moluscos que se alimentam dos nutrientes transportados pelas correntes marinhas.

Porque é vantajosa a criação de recifes artificiais?

A instalação de recifes artificiais reduz a pressão ecológica sobre formações naturais frágeis e promove o turismo sustentável. Para além de apoiar a investigação oceanográfica, esta iniciativa mostra que os resíduos industriais podem ter uma destinação útil, contribuindo para a conservação marinha.

Vinte anos depois do projeto, o antigo avião a jato continua a prosperar como um refúgio estável e produtivo no oceano Pacífico. Este exemplo evidencia como o planeamento ambiental e a engenharia podem trabalhar em conjunto para criar novos espaços de preservação ecológica no planeta.

Neste momento

Miguel Ângelo Ferreira

Miguel Ângelo Ferreira é guia de natureza certificado e fotógrafo de paisagem, especializado no Parque Nacional da Peneda-Gerês e nos seus percursos pedestres. Dedica-se à divulgação responsável das cascatas, lagoas e trilhos do Gerês, aliando conhecimento do património natural local a práticas de turismo sustentável e seguro.

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