A United Airlines poderá tirar partido da rejeição, pela Emirates Airline, de uma dezena de aviões 777X já fabricados pela Boeing, que apresentam “pendências a resolver”.
Atrasos no Boeing 777X e exigências da Emirates Airline
O programa 777X acumula um atraso superior a sete anos, sobretudo devido aos requisitos regulamentares introduzidos na sequência dos problemas do 737 MAX. Enquanto produzia aeronaves destinadas à entrega, com o objectivo de acelerar o processo posterior, a Boeing teve de efectuar diversas melhorias no projecto.
A Emirates declarou agora que não aceitará essas unidades sujeitas a retrabalho e exigirá à Boeing aviões totalmente novos. Tendo em conta as cláusulas contratuais relativas ao desempenho que cada aeronave deve assegurar, bem como o estatuto da transportadora árabe como principal cliente deste modelo - com quase 300 unidades encomendadas, mais do dobro da segunda maior compradora, a Qatar Airways -, é pouco provável que o fabricante norte-americano conteste a decisão.
United Airlines poderá receber os 777X do primeiro lote
Perante este cenário, a Boeing procura já um destino para os nove dos 10 aviões recusados que restam, evitando que sejam reciclados, como sucedeu recentemente com o primeiro. Para tal, o fabricante poderá recorrer à United Airlines, a primeira companhia aérea do mundo a operar um jacto 777 e criada pela própria Boeing há quase um século.
De acordo com o jornalista Scott Hamilton, do portal Leeham News, fontes do sector têm referido interesse da United nestes 777X de “primeira série”, uma estratégia que a empresa já adoptou no passado com o 777-300ER. Ao contrário da Emirates, a transportadora norte-americana emprega os actuais 777 em rotas mais curtas e manteve em serviço, inclusive até ao ano passado, o primeiro “Triple Seven” que recebeu, demonstrando que explora o avião até ao limite.
A United também ainda não escolheu um sucessor para os 777-300ER, tendo adquirido apenas as três variantes do Boeing 787 Dreamliner, que oferecem menor capacidade e alcance do que o 777-9X recusado pela Emirates.
Como estes aparelhos poderão ser entregues já no próximo ano, evitando um longo período de espera, e terão um preço inferior por apresentarem desempenho abaixo do dos futuros 777X, a United poderá concretizar um negócio vantajoso. A introdução do jacto na sua frota seria igualmente facilitada pela experiência da companhia, a mais vasta do mundo com a família 777.
Os rumores indicam que a United pretende comprar até 20 jactos 777-9X do “primeiro lote”, já concluídos ou parcialmente construídos. Se a Boeing conseguir fechar o acordo, libertar-se-á de um problema e poderá até agradar a “gregos e troianos”, fornecendo aviões mais recentes aos clientes mais exigentes e que apoiaram o programa desde o início.






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