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Alojamento local cresce no Porto, com quase cinco vezes mais inscrições do que Lisboa

Três jovens felizes a olhar pela janela aberta para vista da Ribeira no Porto, com documentos e chave na mesa.
Neste artigo
  1. Centros históricos e alojamento local
  2. O problema com a habitação
  3. Dar mais qualidade para vender melhor
  4. Outras regiões

Apesar da depuração dos registos na plataforma nacional e das limitações ao licenciamento em determinadas zonas do país, continuam a abrir novas unidades de alojamento local (AL). O Porto destaca-se: este ano, o município contabiliza quase cinco vezes mais inscrições do que Lisboa.

Em Portugal Continental existem atualmente quase 112 mil unidades, um total que sobe para 120 mil quando se incluem os arquipélagos. Para a Associação Alojamento Local Porto e Norte (ALPN), há ainda potencial de crescimento. A associação promove hoje e amanhã, na Invicta, uma cimeira dedicada aos desafios e às oportunidades do setor.

Segundo os dados do Turismo de Portugal, tem aumentado o número de apartamentos, moradias, estabelecimentos de hospedagem, quartos e hostels dedicados ao AL. Em 2022, Portugal Continental tinha 104 mil unidades; no ano passado, o número atingiu 118 mil, uma subida de 14%, concentrada em grande medida nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto. Após a limpeza dos registos efetuada este ano - que abrangeu, entre outros casos, estabelecimentos inativos, sem cumprimento das regras ou já encerrados -, o total recuou para 111.857 unidades em Portugal Continental.

Ainda assim, novos negócios continuam a entrar no mercado. Este ano foram registadas mais 7762 unidades em Portugal Continental, das quais 583 no Porto, um município que apresentou quase cinco vezes mais novos registos do que Lisboa (124). Nos dois municípios, foram extintas este ano 1388 e 6196 unidades, respetivamente.

As receitas cresceram a um ritmo mais elevado do que o número de unidades. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), passaram de 403 milhões de euros, em 2022, para 548 milhões, em 2025, uma subida de 36%. Até agosto deste ano, somavam 383 milhões.

Centros históricos e alojamento local

David Almeida, presidente da ALPN, garante que existe "espaço para crescer", argumentando que as limitações se concentram em "alguns centros históricos" das grandes cidades, em particular na freguesia de Santa Maria Maior, em Lisboa, e no centro do Porto. "O território não pode ser reduzido a meia dúzia de quilómetros quadrados", nem se deve legislar para todo o país com base em "informações de duas ou três freguesias", defende.

Acrescenta que também existem "constrangimentos provocados também pelo setor hoteleiro, que também tem culpa no cartório. A freguesia de Santa Maria Maior tem mais de 90 hotéis. Não é o AL culpado disto tudo".

No caso do Porto, considera que "os constrangimentos são no Centro Histórico, todo o resto da cidade não tem constrangimentos". E não antevê obstáculos relevantes noutros concelhos. Gondomar, por exemplo, é "o município que mais cresceu em AL, tem pouco mais de cem unidades, há muito espaço para crescer, temos de tirar da cabeça que são os centros históricos que vão condicionar as regras em Portugal".

Para David Almeida, os dados de AL inscritos na plataforma nacional "tendem a ser próximos da realidade", embora persistam "ajustes" por concretizar. Existem casos que precisam de esclarecimento, não por resultarem de falhas na atividade, mas "de falta de atualização da informação".

O problema com a habitação

Entre as várias preocupações atuais estão as restrições "ao nível do licenciamento e dos rácios nos espaços citadinos" aplicáveis ao AL. Estas medidas estarão a ser preparadas pela "Task Force Housing", o grupo de trabalho criado pela União Europeia devido aos problemas de habitação. "Essa é uma das nossas grandes preocupações neste momento", afirma David Almeida, explicando que a cimeira procurará "trabalhar com factos" e desmontar algumas "perceções" que não correspondem à realidade.

Em Portugal, refere, há territórios que "já têm algumas restrições. O tempo veio dizer que não foram as mais corretas, na medida em que não tiveram o resultado esperado. Em Lisboa, por exemplo, desde 2018 estão condicionadas as licenças e não foi por isso que foram criados mais espaços de habitação ou os preços baixaram. Não é pela castração do AL que se vai resolver o problema da habitação", sustenta o presidente da ALPN.

Além da cimeira, está em preparação um Livro Branco, cuja conclusão está prevista para o final do primeiro trimestre do próximo ano. Pretende-se "contrariar as perceções" consideradas desalinhadas da realidade, para que o "mercado tenha linhas diretrizes" e para que "os decisores políticos possam ter uma orientação baseada em factos, em informação técnica de especialistas", evitando a "instabilidade" no setor.

Dar mais qualidade para vender melhor

A cimeira não se limitará à discussão dos problemas e deverá também apresentar oportunidades capazes de "alavancar o turismo para um nível superior, com mais qualidade e mais-valias", contribuindo para que o produto nacional seja "ainda mais bem vendido", explica David Almeida. "Sabemos que a inteligência artificial está a dar cartas, o mundo digital tem vindo a crescer e temos de nos adaptar. Temos de evoluir tecnicamente, para dar mais ferramentas para quem promove alojamento turístico", acrescenta.

O presidente da ALPN salienta que os indicadores revelam uma subida do valor acima do crescimento da quantidade, algo que "denuncia a evolução que já está a acontecer". "A expectativa para o futuro é bastante positiva".

Outras regiões

Norte

No Norte, sobressai a Região do Alto Minho, que este ano reúne 2650 unidades de AL ativas. O Douro conta com 1145. Gaia tem 438 unidades de AL ativas, enquanto Braga apresenta 718, um valor bastante superior às 252 de Bragança.

Centro

A região Centro soma 6620 unidades de AL ativas, mais 298 do que no ano passado. Deste total, 1667 localizam-se na Região de Coimbra e 1573 nos municípios da Região de Aveiro. Também no Centro, Nazaré e Óbidos, destinos com elevada procura turística, concentram 1287 e 758 unidades de AL, respetivamente.

Alentejo

Face a 2025, o Alentejo tem este ano mais 270 unidades de AL, mas continua abaixo das 5000 unidades ativas.

Algarve

O Algarve é a região com mais unidades em atividade: conta este ano com 42 207 AL, menos 754 do que em 2025. Apenas no município de Faro existem 1181.

Ilhas

Os arquipélagos da Madeira e dos Açores somam 8530 unidades registadas, estando a esmagadora maioria situada na ilha da Madeira (8498).

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Miguel Ângelo Ferreira

Miguel Ângelo Ferreira é guia de natureza certificado e fotógrafo de paisagem, especializado no Parque Nacional da Peneda-Gerês e nos seus percursos pedestres. Dedica-se à divulgação responsável das cascatas, lagoas e trilhos do Gerês, aliando conhecimento do património natural local a práticas de turismo sustentável e seguro.

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