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The Whale: o museu das baleias que nasce no Ártico

Edifício moderno em forma de baleia junto ao mar com pessoas a caminhar na passadeira em dia ensolarado.
Neste artigo
  1. Porque foi o novo museu construído neste local do Ártico?
  2. Como pode uma cobertura de betão integrar-se na paisagem?
  3. O que se encontra sob esta enorme superfície curva?
  4. Porque poderão os visitantes caminhar sobre o próprio museu?
  5. The Whale continua em construção e abrirá ao público em 2027

Na costa de Andenes, a cerca de 300 quilómetros a norte do Círculo Polar Ártico, uma vasta cobertura arqueada começa a ganhar forma entre as rochas e o Mar da Noruega. Trata-se do The Whale, um centro dedicado às baleias e ao oceano, concebido pelo atelier dinamarquês Dorte Mandrup. Com cerca de 3.750 m², o edifício prolonga visualmente o terreno e, consoante o ponto de observação, sugere o dorso de uma baleia a emergir da água.

Porque foi o novo museu construído neste local do Ártico?

Andenes situa-se na ponta norte da ilha de Andøya, junto de Bleiksdjupa, um profundo desfiladeiro submarino que contribui para aproximar nutrientes e vida marinha da costa. Esta condição permite a presença de várias espécies de cetáceos nas águas da zona, transformando a pequena povoação num dos destinos noruegueses mais reconhecidos para a observação de baleias.

O novo centro pretende tirar partido desta ligação entre o lugar, a ciência e os animais marinhos. Em vez de se limitar a um espaço expositivo fechado, o projecto foi pensado para manter o oceano constantemente presente no olhar dos visitantes.

  • O edifício ergue-se na costa de Andenes, na ilha de Andøya;
  • A área localiza-se aproximadamente 300 quilómetros a norte do Círculo Polar Ártico;
  • Bleiksdjupa aproxima águas profundas da linha de costa;
  • A região é conhecida pela observação de diferentes espécies de baleias;
  • O antigo farol de Andenes mantém-se como vizinho imediato do edifício.

Como pode uma cobertura de betão integrar-se na paisagem?

O elemento mais distintivo do The Whale é a sua cobertura parabólica, que se eleva suavemente a partir do solo antes de voltar a aproximar-se das rochas. Em vez de representar uma baleia de forma literal, os arquitectos procuraram desenvolver uma silhueta orgânica, aberta a leituras como uma colina, uma onda ou um grande animal marinho.

Veja abaixo o vídeo que apresenta o The Whale:

O que se encontra sob esta enorme superfície curva?

A construção articula aço e betão para vencer um grande vão interior com poucos apoios. Esta solução possibilita áreas de exposição generosas e relativamente desimpedidas de pilares, enquanto grandes planos envidraçados enquadram o mar e as montanhas no exterior.

Dos cerca de 3.750 m² do complexo, aproximadamente 1.800 m² serão reservados às exposições. A área restante incluirá zonas de apoio, serviços e espaços destinados aos visitantes.

  • Galerias dedicadas às baleias e ao meio marinho;
  • Espaços para ciência, arte e experiências audiovisuais;
  • Café orientado para a paisagem costeira;
  • Loja e áreas administrativas;
  • Grandes janelas panorâmicas voltadas para o oceano;
  • Percursos exteriores integrados no terreno.

Porque poderão os visitantes caminhar sobre o próprio museu?

A cobertura curva não foi concebida apenas como um tecto. A sua superfície deverá incorporar pedras e vegetação locais, e a inclinação suave permitirá aos visitantes subir até zonas elevadas para contemplar o oceano. Desta forma, a arquitectura converte a parte superior do edifício numa extensão do espaço público e num miradouro sobre o Mar da Noruega.

  • O tecto será acessível aos visitantes;
  • A inclinação foi desenhada para estabelecer um percurso sobre o edifício;
  • Pedras e vegetação contribuem para integrar a construção no terreno;
  • A cobertura proporciona novas vistas sobre o oceano e as ilhas próximas;
  • O perfil baixo evita competir visualmente com a paisagem costeira.

The Whale continua em construção e abrirá ao público em 2027

O projecto teve origem numa iniciativa local lançada em 2014 e assumiu a sua configuração actual após um concurso internacional, vencido por Dorte Mandrup em 2019. Actualmente em construção, o centro tem inauguração oficial marcada para 3 de junho de 2027, seguindo-se a abertura ao público no dia seguinte. As exposições estão a ser desenvolvidas para explorar a evolução, o comportamento, a comunicação e os habitats das baleias, bem como a relação histórica entre os seres humanos e estes animais.

Ainda assim, a imagem mais marcante poderá encontrar-se no exterior. Em vez de implantar um grande volume vertical na costa árctica, os arquitectos fizeram o museu parecer nascer directamente do solo. Visto à distância, o telhado baixo e curvo aparenta transformar-se à medida que o observador se aproxima: pode assemelhar-se a uma elevação rochosa, a uma onda gelada ou ao dorso imenso de uma baleia prestes a desaparecer de novo no mar.

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Miguel Ângelo Ferreira

Miguel Ângelo Ferreira é guia de natureza certificado e fotógrafo de paisagem, especializado no Parque Nacional da Peneda-Gerês e nos seus percursos pedestres. Dedica-se à divulgação responsável das cascatas, lagoas e trilhos do Gerês, aliando conhecimento do património natural local a práticas de turismo sustentável e seguro.

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