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Reforma de 2 400 euros: Claudine e Jean-Louis viajam com a troca de casas HomeExchange

Casal sénior com malas na entrada de uma casa acolhedora e iluminada por janelas grandes.
Neste artigo
  1. Trocaram o hotel pela troca de casas
  2. Um método simples, mas sem improvisos
  3. Viajar mais sem pôr o orçamento em risco

Numa segunda-feira de manhã, sobre a mesa da cozinha, estão um caderno quadriculado, duas chávenas de café e um pequeno globo terrestre comprado há muitos anos num antiquário. Claudine, de 74 anos, aponta as datas possíveis; Jean-Louis, de 75, consulta os horários dos comboios no telemóvel, com aquela concentração algo divertida que todos reconhecemos quando é preciso dominar um ecrã. A reforma conjunta é de 2 400 euros por mês, um valor que obriga a fazer contas sem que cada desejo se transforme numa frustração. Ainda assim, viajaram quatro vezes este ano: ao Jura, a Lisboa, aos arredores de La Rochelle e passaram alguns dias em casa de habitantes do Vaucluse. O segredo não veio de uma herança inesperada. Nasce, antes, de uma forma diferente de pernoitar fora de casa.

Trocaram o hotel pela troca de casas

Para Claudine e Jean-Louis, a mudança começou depois de um fim de semana que acabou por custar demasiado para aquilo que ofereceu: um quarto pequeno, pequenos-almoços cobrados à parte e a sensação de vigiar cada gasto. Foi então que uma vizinha lhes falou da HomeExchange, uma plataforma de troca de casas entre particulares. Ao início, o conceito deixou-os cautelosos, quase desconfiados. Abrir a própria casa a desconhecidos não é uma decisão tomada de ânimo leve. Contudo, perceberam que podiam receber viajantes em casa ou recorrer a um sistema de pontos, frequentemente designado GuestPoints, para ficar noutros alojamentos sem terem de fazer uma troca direta na mesma altura.

A primeira viagem levou-os a Besançon, para um apartamento cedido por um casal que fora visitar os filhos. Não pagaram hotel nem alojamento local; tiveram apenas as despesas da viagem, das refeições e da adesão anual à plataforma, cujo valor pode variar consoante as ofertas disponíveis. Em cinco noites, a poupança foi evidente: para aquele período, tinham encontrado hotéis entre 90 e 130 euros por noite. Para os dois, a conta ultrapassaria rapidamente os 500 euros, ainda antes da primeira ida a um restaurante. «Sentimos que recuperámos o direito de viajar sem ficarmos com um aperto no estômago ao olhar para a conta bancária», conta Claudine.

O sistema não torna as férias gratuitas, e talvez seja precisamente isso que o torna credível. Continuam a existir despesas com combustível, bilhetes de comboio, visitas, compras para casa e, por vezes, um restaurante escolhido com gosto. Mas o alojamento é muitas vezes a rubrica que determina se uma escapadinha é viável ou fica pelo desejo. Para este casal, não ter quatro faturas de hotel ao longo do ano mudou por completo as contas. Calculam poupar várias centenas de euros em cada viagem, consoante o destino e a época. O orçamento de férias continua a existir, mas agora tem mais folga.

Um método simples, mas sem improvisos

A regra que adotaram é muito clara: planeiam as viagens entre seis e oito meses antes da data pretendida, sobretudo nos períodos em que os pedidos aumentam muito. Jean-Louis preenche com cuidado o perfil da moradia, junta fotografias luminosas e explica de forma direta os pequenos pormenores úteis: o degrau à entrada, o quarto no rés do chão, o mercado de sábado e o lugar de estacionamento. Este nível de detalhe tranquiliza os viajantes e reduz o risco de surpresas desagradáveis. Também leem as avaliações deixadas por membros anteriores. Não basta apresentar bem uma casa; é necessário despertar interesse e transmitir confiança.

Nunca aceitam um pedido à pressa. Antes de confirmarem uma estadia, Claudine troca várias mensagens com os futuros ocupantes, pergunta quem virá e confirma se as datas se enquadram realmente na organização deles. Sejamos sinceros: ninguém faz isto todos os dias. É preciso arrumar um pouco, deixar livre uma prateleira do frigorífico, preparar instruções para o gato do vizinho e aceitar que outras pessoas usem a própria cozinha. No início, o erro deles foi querer controlar tudo. Acabaram por deixar uma casa acolhedora, e não uma casa-museu, o que tornou a experiência muito mais leve.

Aconselham ainda que a primeira experiência seja feita perto de casa, pois é menos stressante do que uma estadia longa no estrangeiro. A lista colada no interior de um armário é útil tanto para os hóspedes como para eles próprios quando fazem as malas.

«O verdadeiro luxo não é ter uma suite de hotel. É poder decidir viajar outra vez, mesmo com uma reforma pequena», resume Jean-Louis.

  • Criar um perfil claro, com fotografias recentes e fiéis à realidade.
  • Ler as avaliações antes de chegar a qualquer acordo.
  • Reservar um orçamento separado para transporte e refeições.
  • Começar por uma estadia curta para ganhar confiança.

Viajar mais sem pôr o orçamento em risco

A história deles identifica-se com a de muitos reformados que veem os preços subir mais depressa do que diminuem as suas vontades de viajar. Claudine e Jean-Louis não pretendem demonstrar que é possível fazer tudo com pouco dinheiro; limitam-se a recusar a ideia de que as viagens são exclusivas de quem tem orçamentos folgados. Dão preferência a partidas fora das férias escolares, por vezes levam um piquenique para a primeira deslocação e cozinham no alojamento durante parte da semana. O prazer não desapareceu por causa destes hábitos. Apenas assumiu outra forma: um café bebido numa esplanada de bairro em Lisboa deixa-lhes uma recordação mais viva do que um buffet demasiado caro num estabelecimento sem personalidade.

Para eles, o mais surpreendente continua a ser o contacto humano. No Jura, os anfitriões deixaram-lhes a morada de um produtor de queijo e um mapa rabiscado com três passeios acessíveis; em La Rochelle, descobriram um pequeno porto que quase não aparece nos guias. Estes gestos não têm um preço definido, embora façam uma grande diferença. A plataforma não é adequada para todos, sobretudo para quem não quer receber pessoas em casa ou prefere os serviços de um hotel. A troca de casas exige alguma flexibilidade, mas também proporciona uma liberdade que muitos julgavam perdida.

No final do verão, o caderno já reúne algumas hipóteses para o ano seguinte: Estrasburgo antes do Natal, a Bretanha na primavera e talvez Itália, caso surja uma proposta. A reforma mantém-se igual e as despesas do dia a dia não desapareceram. Mas encontraram uma margem onde já não a viam. A experiência deles coloca uma questão muito simples: será obrigatório abdicar de férias quando o alojamento absorve uma parte demasiado grande do orçamento, ou será possível mudar hábitos sem sacrificar o prazer de descobrir outros lugares?

Ponto essencial Pormenor Valor acrescentado para o leitor
Plataforma de troca A HomeExchange permite trocar a própria casa ou utilizar GuestPoints. Reduzir significativamente o custo do alojamento, muitas vezes a principal rubrica de despesa.
Preparação Perfil completo, fotografias recentes, contacto com os membros e leitura das avaliações. Evitar imprevistos e viajar com maior tranquilidade.
Orçamento realista É possível poupar no alojamento, mas é necessário prever transporte, refeições e atividades. Planear férias frequentes sem criar ilusões sobre as próprias finanças.

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Miguel Ângelo Ferreira

Miguel Ângelo Ferreira é guia de natureza certificado e fotógrafo de paisagem, especializado no Parque Nacional da Peneda-Gerês e nos seus percursos pedestres. Dedica-se à divulgação responsável das cascatas, lagoas e trilhos do Gerês, aliando conhecimento do património natural local a práticas de turismo sustentável e seguro.

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