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Serra Catarinense: turismo durante todo o ano

Casal a conversar numa varanda de madeira com vista para lago, colinas verdes e montanhas ao pôr do sol.
Neste artigo
  1. Região dos Lagos
  2. Região Central da Serra Catarinense
  3. Região de Altitude
  4. Experiência integrada
  5. Na Serra Catarinense, o turismo decorre durante todo o ano

Com cerca de 16 mil km² - o correspondente a 17% do território de Santa Catarina -, a Serra Catarinense ultrapassa a imagem de destino de inverno e afirma-se como uma das regiões mais diversificadas do sul do país.

Composta por 18 municípios integrados na Associação dos Municípios da Serra Catarinense (Amures), esta área reúne dinamismo económico, diversidade cultural e um património natural definido por cânions, cascatas, campos de altitude e florestas de araucárias.

Além dos atractivos ligados ao turismo rural e de aventura, a região dispõe de uma base económica sólida. A actividade local é movida pela agropecuária, fruticultura, indústria alimentar e de bebidas, silvicultura e transformação de madeira e celulose, sectores que asseguram vitalidade económica durante todo o ano.

Para compreender a extensão deste território e as especificidades das suas vocações locais, a reportagem organizou a área em três grandes zonas. Embora esta divisão não corresponda a uma regionalização administrativa oficial, permite conhecer as identidades, paisagens e potencialidades turísticas que caracterizam cada parte da serra.

Região dos Lagos

No extremo sul da Serra Catarinense situa-se a Região dos Lagos, constituída sobretudo pelos municípios de Anita Garibaldi, Campo Belo do Sul, Capão Alto e Cerro Negro.

A identidade desta zona está intimamente ligada aos grandes reservatórios criados com a instalação de empreendimentos hidroeléctricos. Esta alteração da paisagem abriu igualmente uma nova possibilidade de aproveitamento turístico e económico dos lagos, através de iniciativas dedicadas ao planeamento e à estruturação do denominado Parque dos Lagos. O projecto abrange cerca de 3.500 km² e surgiu precisamente da percepção de que os reservatórios poderiam tornar-se activos para o desenvolvimento regional.

Trata-se de uma área com forte aptidão para o turismo de natureza, pesca, lazer náutico, turismo rural, gastronomia, experiências no campo e actividades de contemplação da paisagem. Em simultâneo, apresenta uma produção agropecuária expressiva e margem para novos investimentos em infra-estruturas turísticas, alojamento, gastronomia e experiências associadas ao meio rural.

Promovido de forma intensa pela Agência de Desenvolvimento da Região dos Lagos (ADREL), este território representa uma Serra cujo potencial turístico continua pouco explorado. É uma área estratégica para diversificar a oferta turística de Santa Catarina, sobretudo por proporcionar uma paisagem distinta da que habitualmente se associa aos cânions e às montanhas de grande altitude.

Região Central da Serra Catarinense

No centro da Serra Catarinense encontra-se a região liderada por Lages, o seu principal núcleo urbano e económico, que articula os municípios de Bocaina do Sul, Correia Pinto, Lages, Otacílio Costa, Painel, Palmeira, Ponte Alta e São José do Cerrito.

Lages desempenha a função de pólo regional, concentrando comércio, serviços, educação, saúde, eventos, logística e actividades empresariais que servem não só o município, mas também uma vasta área do território serrano.

É igualmente uma região marcada pela relevância do agronegócio, da pecuária, da madeira, da silvicultura, da indústria e do turismo rural. A história de Lages está profundamente associada à actividade tropeira, à criação de gado e à cultura do campo, elementos que continuam presentes na identidade regional.

Neste território, a economia tradicional cruza-se com novas oportunidades. A produção agropecuária coexiste com empreendimentos industriais, serviços especializados, eventos, gastronomia, turismo de experiências, cicloturismo e propriedades rurais abertas a visitantes.

Lages funciona ainda como porta de entrada e ponto de distribuição de visitantes para diversos destinos serranos. A criação de novas rotas turísticas reforça esta ligação. Um exemplo é a Rota do Cicloturismo da Serra Catarinense, ainda numa fase embrionária, que ligará Lages a Bocaina do Sul, Rio Rufino, Bom Retiro, Urupema, Urubici, Bom Jardim da Serra, São Joaquim e Painel, num trajecto de aproximadamente 600 quilómetros.

Deste modo, a região central assume um papel decisivo na estratégia de desenvolvimento da Serra: é aqui que se conjugam a força económica, a infra-estrutura urbana e de serviços e uma ampla base de ligação entre os diferentes destinos turísticos.

Região de Altitude

Na faixa de maior altitude da Serra Catarinense encontram-se Bom Jardim da Serra, Bom Retiro, Rio Rufino, São Joaquim, Urubici e Urupema. É a zona que mais projectou a Serra Catarinense a nível nacional no que respeita a frio, neve, paisagens de montanha e turismo de natureza.

São Joaquim, Urupema, Urubici e Bom Jardim da Serra constituem um dos principais corredores turísticos da região, reunindo atractivos como a Serra do Rio do Rastro, o Morro da Igreja, a Pedra Furada, cânions, cascatas, campos de altitude, trilhos e miradouros.

A altitude criou também as condições para o desenvolvimento de uma actividade que alterou a economia e a imagem da região: a vitivinicultura de altitude. Adegas, experiências enogastronómicas, unidades de alojamento diferenciadas e restaurantes passaram a integrar uma nova cadeia económica, atraindo visitantes interessados não apenas no frio, mas também no vinho, na gastronomia, na cultura e nas experiências.

Experiência integrada

Estudos sobre o turismo regional identificam Urubici, Lages, Urupema, São Joaquim e Bom Jardim da Serra entre os municípios mais visitados da Serra Catarinense. O levantamento salienta também atractivos como o Morro da Igreja, em Urubici; o Morro das Antenas e a Cachoeira que Congela, em Urupema; a Vinícola Villa Francioni, em São Joaquim; e o Mirante da Serra do Rio do Rastro, em Bom Jardim da Serra.

Contudo, a principal força desta região reside precisamente na capacidade de transformar produtos turísticos distintos numa experiência integrada: frio, neve, vinho, gastronomia, aventura, ecoturismo, turismo rural, observação da natureza, cicloturismo e alojamento.

Na Serra Catarinense, o turismo decorre durante todo o ano

Esta diversidade evidencia que a Serra Catarinense, actualmente reconhecida como marca, não deve ser entendida apenas como um destino de inverno, mas como uma das suas grandes potencialidades. O frio não é o seu único produto.

A região reúne condições para desenvolver o turismo ao longo dos 12 meses do ano, tirando partido das diferentes estações e experiências. No verão, os cânions, trilhos, cascatas, rios e áreas rurais assumem maior destaque. No outono, as paisagens e a gastronomia criam novos motivos de interesse. No inverno, o frio, a geada e a possibilidade de neve colocam a Serra no centro das atenções. Na primavera, as flores, os campos e as actividades ao ar livre voltam a alargar as possibilidades.

Esta variedade relaciona-se directamente com a economia. Cada visitante que chega activa uma cadeia que inclui hotéis, casas de hóspedes, restaurantes, adegas, produtores rurais, transportadores, guias, agências, comércio, artesãos, eventos e prestadores de serviços. Os dados territoriais ajudam ainda a dimensionar este potencial.

O grande desafio - e, em simultâneo, a maior oportunidade - consiste em garantir que estas três zonas sejam entendidas como partes de um mesmo território turístico e económico.

Em conjunto, estas três vertentes constituem uma região capaz de oferecer muito mais do que paisagens de grande beleza. Formam um território de produção, empreendedorismo, cultura, inovação, hospitalidade e oportunidades de investimento.

A Serra Catarinense reúne, assim, todos os elementos para reforçar a sua presença no panorama turístico nacional: território, identidade, natureza, cultura, gastronomia, produtos diferenciados e uma população que converte as características da região em oportunidades de desenvolvimento.

Neste momento

Miguel Ângelo Ferreira

Miguel Ângelo Ferreira é guia de natureza certificado e fotógrafo de paisagem, especializado no Parque Nacional da Peneda-Gerês e nos seus percursos pedestres. Dedica-se à divulgação responsável das cascatas, lagoas e trilhos do Gerês, aliando conhecimento do património natural local a práticas de turismo sustentável e seguro.

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