Saltar para o conteúdo
Notícias

LATAM Brasil: novas rotas dos Embraer E195-E2 desafiam a Azul no agronegócio

Três homens com chapéus e roupa formal caminham na pista junto a um avião da LATAM Brasil ao pôr do sol.
Neste artigo
  1. As rotas da LATAM Brasil no interior
  2. A concorrência com a Azul e o setor petrolífero
  3. O agronegócio e os novos destinos da LATAM

A apresentação das primeiras rotas da LATAM Brasil para os seus novos jatos Embraer revela a estratégia da companhia para crescer em mercados empresariais que são ou foram servidos exclusivamente pela Azul.

Na primeira fase da rede dos Embraer E195-E2, a LATAM anunciou oito rotas novas: seis para cidades do interior do Brasil e duas para grandes cidades e capitais. O desenho do mapa, comparado com os voos comerciais atualmente disponíveis, evidencia que a transportadora terá como principal alvo os clientes empresariais que viajam por motivos ligados ao agronegócio.

Este mercado é hoje dominado sobretudo pela Azul, que possui a rede mais abrangente no Centro-Oeste, a maior região produtora do Brasil. Em conjunto com o interior dos estados do Paraná e de São Paulo, esta região forma um cinturão de produção de cereais. Será precisamente nestas zonas que a LATAM mais recorrerá aos novos aviões, como se verá em seguida.

As rotas da LATAM Brasil no interior

A ligação prevista para inaugurar a operação unirá Guarulhos, em São Paulo, a Rondonópolis, no Mato Grosso. Atualmente, esta cidade do interior é servida apenas pela Azul, que oferece seis voos semanais para Campinas/Viracopos; a LATAM, por sua vez, apostará em voos diários.

Na cidade também do interior de Ji-Paraná, existem três voos semanais para Viracopos e outros três para Cuiabá. Neste último caso, o avião prossegue sempre para Guarulhos, permitindo uma ligação curta na capital do Mato Grosso. A LATAM oferecerá quatro voos semanais diretos para Guarulhos.

A concorrência estender-se-á ainda à ligação entre as cidades paranaenses de Curitiba e Londrina. A Azul efetua atualmente até 11 voos por semana com aviões turbo-hélice ATR 72-600, ao passo que a LATAM utilizará os jatos E195-E2 em dois voos diários. Isso representará uma oferta semanal de lugares 140% superior à da concorrente.

A concorrência com a Azul e o setor petrolífero

Em contrapartida, a nova rota da LATAM entre Porto Alegre e Viracopos, com destino direto à principal plataforma de ligações e «casa» da Azul, terá igualmente dois voos por dia. A companhia que domina aquele aeroporto dispõe, porém, de seis voos num único dia, pelo que a disputa deverá concentrar-se nos horários mais «premium», no início e no final do dia.

A LATAM irá também apostar, curiosamente, no setor do petróleo e do gás, que foi inicialmente dominado pela extinta Oceanair (Avianca Brasil), criada na Bacia de Campos. Mais tarde, a Azul ocupou parte desse mercado, mas acabou por abandonar essas operações.

As cidades costeiras fluminenses de Cabo Frio e Macaé já tiveram ligações da Azul ao Aeroporto de Belo Horizonte (Confins) e a Viracopos. A companhia deixou, contudo, de as operar. Quando ainda o fazia, utilizava aviões turbo-hélice ATR 72 ou Cessna C208 Caravan, com uma capacidade muito inferior aos 136 lugares dos Embraer E195-E2.

O agronegócio e os novos destinos da LATAM

Outra ligação a explorar será a de Brasília a Ribeirão Preto. Esta rota já foi servida pela desastrosa Voepass e também era operada ocasionalmente pela Azul durante a Agrishow, o que volta a mostrar o interesse da LATAM em percursos frequentados por passageiros ligados ao agronegócio brasileiro.

Este desenho está igualmente em consonância com as declarações feitas hoje pelo diretor executivo da LATAM Brasil, Jerome Cadier: «Se olharmos para a forma como anunciámos esta primeira fase de rotas dos Embraer, fomos à procura de novas bases com uma procura empresarial importante, quer do agronegócio, quer do petróleo, alguma procura turística no caso de Cabo Frio, mas sobretudo mais ligadas à nossa plataforma de Guarulhos.»

Últimos artigos

Miguel Ângelo Ferreira

Miguel Ângelo Ferreira é guia de natureza certificado e fotógrafo de paisagem, especializado no Parque Nacional da Peneda-Gerês e nos seus percursos pedestres. Dedica-se à divulgação responsável das cascatas, lagoas e trilhos do Gerês, aliando conhecimento do património natural local a práticas de turismo sustentável e seguro.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário