Um dos endereços mais emblemáticos da capital paulista, o Tivoli Mofarrej São Paulo, marca de luxo do grupo tailandês Minor Hotels, está a alargar a utilização das suas instalações para acolher eventos. Situado nos Jardins, a poucos metros da Avenida Paulista, o hotel passou a integrar na operação MICE - sigla para reuniões, incentivos, conferências e exposições - espaços que vão além do centro de convenções tradicional.
A proposta combina alta gastronomia, bem-estar, terraço e suítes na criação de experiências para empresas e organizadores. A reportagem da Catraca Livre visitou o hotel no final de julho para conhecer a estratégia e percorrer alguns dos espaços que passaram a fazer parte desta oferta.
“O MICE tem-se tornado cada vez mais estratégico para o Tivoli Mofarrej São Paulo. O nosso objetivo é oferecer uma solução completa aos organizadores e às empresas, reunindo infraestruturas, serviços personalizados e experiências à altura das exigências dos participantes”, afirma Marco Amaral, vice-presidente de Operações e Desenvolvimento da Minor Hotels no Brasil.
O segmento representa atualmente cerca de 25% da faturação do empreendimento. Da receita gerada por grupos e eventos, aproximadamente 80% corresponde a eventos empresariais e 20% a eventos sociais. “O cliente de eventos já conhece as nossas infraestruturas. Agora queremos que conheça tudo o que o hotel oferece e que pode enriquecer a experiência dos participantes”, afirma Milena Freire, diretora de Vendas da Minor Hotels no Brasil.
A mudança acompanha a transformação do mercado de eventos empresariais. Segundo Amaral, as instalações físicas deixaram de ser suficientes para distinguir uma operação. “Hoje, a flexibilidade é total. Temos de deixar de lado qualquer rigidez operacional ou tradicional para criar eventos que façam realmente sentido para cada cliente”, disse o executivo numa conversa com jornalistas.
Do centro de convenções ao spa do Tivoli Mofarrej
O Centro de Convenções é a principal infraestrutura do Tivoli Mofarrej para eventos. Dispõe de 13 salas multifuncionais, distribuídas por 2,9 mil metros quadrados (m²), e tem capacidade para receber até 1,6 mil participantes em simultâneo. Os espaços contam com tecnologia integrada, infraestrutura para eventos híbridos e várias configurações para convenções, congressos, encontros executivos e lançamentos de produtos.
A Sala Jardins é o espaço principal do complexo e também o que gera mais receita para a operação de eventos. Com luz natural, o salão é utilizado para convenções e encontros empresariais de grande dimensão.
Para grupos mais pequenos, o hotel disponibiliza um pacote de reuniões destinado a encontros de cinco a 50 participantes. Inclui o aluguer da sala, acesso à Internet de alta velocidade, sistema de som e uma ementa criada pelo chefe executivo Danilo Brasil.
A Sala Bela Vista constitui outra opção para encontros empresariais de menor dimensão. O espaço dispõe de uma antecâmara privativa e de equipamentos audiovisuais incluídos no aluguer.
Bem-estar entra no programa dos eventos empresariais
A estratégia do hotel, porém, não se limita às salas. O Anantara Spa, anteriormente procurado pelos hóspedes, passa agora a fazer parte também da experiência de clientes empresariais, grupos de incentivo e eventos sociais.
Instalado num piso antes ocupado por apartamentos, o espaço reúne cerca de dez salas de tratamento e disponibiliza terapias inspiradas em técnicas asiáticas, adaptadas ao público brasileiro. Para grupos empresariais, o programa inclui massagens, alongamentos, terapia pelo som e exercícios de descompressão.
De acordo com Kamila Feher, diretora de Marketing e Comunicação da Minor Hotels no Brasil, a mudança acompanha uma transformação global no comportamento dos viajantes. “O bem-estar ganhou relevância em todo o mundo. Muitos hóspedes internacionais chegam ao hotel e procuram imediatamente o spa. Percebemos que esta experiência também faz sentido para participantes em eventos e grupos de incentivo”, afirma.
Para Marco Amaral, trata-se de uma mudança gradual no setor. “O modelo tradicional está a evoluir, pouco a pouco, para integrar ações de bem-estar”, afirma.
Gastronomia entra no programa
A gastronomia é outro dos pilares da proposta. No Must Restaurant, o chefe executivo Danilo Brasil prepara ementas adaptadas ao perfil de cada evento, com opções sem glúten, sem lactose, vegetarianas e veganas.
A atenção à alimentação acompanha a procura de maior personalização dos encontros empresariais. A ementa pode ser definida em função do formato do evento, do perfil dos participantes e das necessidades apresentadas pelo cliente.
No terraço, o Seen São Paulo alarga as possibilidades para cocktails, encontros de relacionamento e encerramentos de convenções. O restaurante conjuga gastronomia, cocktails e vista sobre o perfil urbano de São Paulo.
Durante a estadia, pude conhecer a nova ementa de harmonização em quatro momentos, criada pela chefe Gizely Rocha em parceria com o escanção Adryan Anjos. A experiência divide-se em quatro etapas, com pratos harmonizados com vinhos e referências às cozinhas japonesa, brasileira, mediterrânica e italiana, acompanhados por vinhos nacionais e internacionais.
A experiência abre com uma pequena entrada de tempura de folha de shiso e cubos de atum fresco, terminados com óleo de sésamo torrado, pimenta japonesa e raspa de limão. O acompanhamento escolhido é o espumante brasileiro Cannion Champenoise Brut, produzido com Chardonnay, Pinot Noir e Riesling Itálico. Na alternativa vegetariana, a líchia e os cogumelos substituem o atum, mantendo a inspiração oriental do prato.
A segunda etapa consiste numa tosta de camarão panado com pimenta togarashi, óleo de sésamo, maionese de paprika, parmesão e raspa de limão. É servida com Les Chant des Sirènes, um branco de Bordéus elaborado com Sauvignon Gris e Souvignier Gris. Para quem não come carne, a tosta é preparada com cogumelos e acompanhada por maionese Kewpie, coentros, pimenta dedo-de-moça e uma mistura de rebentos.
O terceiro momento apresenta maminha marinada e grelhada, servida com puré de ervilhas, mousse de batata, espargos, brócolos de rama, alho-francês estaladiço e molho demi-glace. A escolha de vinho recai sobre o Barolo DOCG San Carlo 2015, da adega italiana Dezzani, produzido com a casta Nebbiolo. Na versão vegetariana, a maminha dá lugar a ravioli de queijo de cabra, com os mesmos acompanhamentos e um demi-glace vegetal.
Para terminar, são servidos mousse de cupuaçu, sorvete de açaí, telha de cacau e crumble de cumaru. A harmonização é feita com Antonella Sacramento, vinho doce produzido na Serra da Canastra com a casta Moscato. A ementa custa R$ 800 por pessoa e inclui os quatro momentos e a seleção de vinhos. As reservas podem ser feitas aqui.
Suítes também se tornam espaços para eventos
A integração dos espaços estende-se às suítes. Com cerca de 200 metros quadrados, a Park Suite pode acolher reuniões executivas, encontros de dirigentes de topo, lançamentos de joias e perfumes, apresentações privadas e eventos sociais.
A maior é a Suíte Presidencial, situada no 22.º andar. Com 750 metros quadrados, é considerada a maior suíte presidencial da América Latina. O preço por noite começa nos R$ 42 mil.
A suíte dispõe de três quartos, salas de estar e de jantar, cozinha, escritório, duas casas de banho de serviço e uma casa de banho principal com banheira de hidromassagem, duche duplo e sauna privativa. As janelas do chão ao teto permitem observar vários pontos da cidade e o Parque Trianon.
Embora tenha sido concebido para alojamento, o espaço também pode receber reuniões, encontros de executivos, lançamentos de produtos, jantares, cocktails e celebrações. A capacidade é de até seis hóspedes, e a configuração das divisões permite adaptações a diferentes formatos de encontro.
Por ali já passaram nomes como Lady Gaga, Mick Jagger, Shakira, Amy Winehouse e Michael Jackson, além das antigas presidentes Cristina Kirchner e Dilma Rousseff. Em 2021, a suíte foi distinguida pelos World Travel Awards como a melhor do Brasil.
Uma nova perspetiva para os eventos
A estratégia do Tivoli Mofarrej assenta na combinação de espaços que antes poderiam ser usados separadamente. Um evento pode começar numa sala do centro de convenções, integrar uma atividade de bem-estar, prosseguir com uma experiência gastronómica e terminar numa zona do terraço ou numa das suítes.
Para Marco Amaral, a infraestrutura continua a ser essencial à operação, mas deve estar associada ao propósito de cada encontro. A ideia é perceber se o evento procura gerar negócios, aproximar equipas, apresentar um produto ou reforçar relações e, a partir daí, definir os espaços, a gastronomia, a ambientação e as atividades. “Temos de deixar de lado qualquer rigidez operacional ou tradicional para criar eventos que façam realmente sentido para cada cliente”, reforça o executivo.
No hotel, esta lógica manifesta-se tanto nos grandes encontros realizados no salão como nas reuniões restritas da Sala Bela Vista, nas experiências de bem-estar no spa, nos jantares no Seen e nos encontros privados nas suítes. Para o mercado MICE, a proposta é utilizar estas estruturas como partes de uma mesma experiência, em vez de as tratar apenas como uma sequência de espaços disponíveis para aluguer.






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