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Lufthansa Cargo poderá abandonar os Airbus A321P2F e regressar a uma frota apenas Boeing

Mulher de negócios com tablet e mapa em pista aeroportuária entre dois aviões brancos estacionados.
Neste artigo
  1. Os A321P2F da Lufthansa Cargo estão parados
  2. Custos do Airbus A321P2F face ao Boeing 737-800BCF
  3. A utilização dos A321P2F da Azul no Brasil

A Lufthansa parece estar a abandonar a operação de carga com aviões Airbus e deverá voltar a utilizar apenas aparelhos Boeing na divisão Lufthansa Cargo.

Os A321P2F da Lufthansa Cargo estão parados

Os quatro A321P2F adquiridos em 2022 e 2023 encontram-se sem voar: dois estão parados desde abril e os restantes desde meados de julho. Segundo informações oficiais e extraoficiais, a suspensão deve-se ao custo elevado de operar estes aviões de passageiros convertidos em cargueiros, uma tendência também observada noutras companhias aéreas.

Numa notícia exclusiva do portal FreightWaves, fontes da própria Lufthansa indicaram que o avião só é rentável quando efetua vários voos diários, transporta mercadorias de maior valor acrescentado e opera em rotas com distâncias otimizadas. Ao longo de todo o ano, é muitas vezes difícil reunir estas condições.

Esta situação levou companhias como a ATSG, proprietária das transportadoras norte-americanas ATI, ABX e Omni Air, a Global X e a SmartLynx, incluindo a sua antiga parceria com a brasileira Levu, a imobilizar parte significativa ou a totalidade das suas frotas de A321P2F. Estas empresas também cancelaram contratos para futuras conversões.

Custos do Airbus A321P2F face ao Boeing 737-800BCF

O A321 Passenger-to-Freighter (P2F) foi criado para responder à procura urgente do mercado mundial de comércio eletrónico após a pandemia. Contudo, o preço de aquisição superior ao do Boeing 737-800, o concorrente mais próximo, e o custo de aluguer também mais elevado, por ser um avião mais recente, tornaram-no menos atrativo no mercado de carga. Este setor dá sempre prioridade a custos mais baixos, mesmo quando isso implica escolher uma aeronave mais antiga.

O 737-800BCF, por exemplo, tem espaço para menos três paletes ou contentores e uma capacidade de carga inferior em cinco toneladas à do A321P2F. Ainda assim, o Airbus não consegue atrair clientes, precisamente devido aos custos de aquisição e operação mais elevados. Por ser maior e mais pesado, consome mais combustível e necessita de mais manutenção preventiva.

Em comunicado oficial, o porta-voz da Lufthansa Cargo, Jan Paulin, declarou: “Estamos a analisar intensivamente as opções disponíveis para a operação da nossa frota de cargueiros A321. No âmbito deste processo, estamos em contacto com vários potenciais operadores para identificar uma solução viável para a futura operação da aeronave. A duração da atual suspensão dos voos ainda não foi definida. Também no âmbito deste processo, as aeronaves apresentam agora um aspeto exterior neutro e a nossa marca foi removida desde que os aviões ficaram parados.”

Num comunicado interno, a Lufthansa Cargo informou funcionários e fornecedores de que os aviões sem identificação permanecerão assim, pelo menos, até ao final da temporada de verão europeia, em setembro. Os quatro aparelhos eram operados pela subsidiária Lufthansa City e poderão ser entregues a um operador europeu externo, que voaria a pedido da Lufthansa e ofereceria a capacidade não utilizada a outras companhias aéreas.

Segundo dados recolhidos pela FreightWaves junto da consultora Aerodynamic Advisory, cerca de 38% da frota de 82 A321P2F, ou seja, 31 aeronaves, estão atualmente parados. Na frota de Boeing 737-800BCF, a proporção é de apenas 14,8% dos 283 aviões, aproximadamente 42 aparelhos sem voar.

A utilização dos A321P2F da Azul no Brasil

Uma das fontes afirmou que o A321 se pode distinguir no transporte de grandes volumes de comércio eletrónico, como acontece com a Azul Linhas Aéreas. A companhia tem dois destes aviões operados pela subsidiária Azul Logística e receberá mais unidades em breve.

Dados da plataforma AirNavRadar consultados pelo AEROIN indicam que os A321P2F da Azul voam, em média, 10,6 horas por dia. Dos seus voos, 41% partem de Campinas e 33% de Manaus, assegurando a ligação aérea entre São Paulo e o Amazonas, a mais tradicional ponte aérea de carga do Brasil.

Os dois A321P2F brasileiros efetuam percursos com uma duração média de três horas. Os da Lufthansa faziam viagens mais curtas, de duas horas e meia, em média, e voavam cerca de 9,5 horas por dia. A diferença pode parecer pequena, mas a Lufthansa dispõe de muitos porões de carga nas centenas de voos de passageiros que realiza, pelo que consegue distribuir mais facilmente as mercadorias do comércio eletrónico sem recorrer a cargueiros dedicados.

A ponte aérea brasileira de carga beneficia ainda do impulso da Zona Franca de Manaus e do principal polo industrial da América do Sul, em São Paulo, mantendo um fluxo constante. Em contrapartida, a própria Lufthansa reconhece que a indústria automóvel alemã, um dos setores de referência do país, tem celebrado contratos a pedido e de última hora em rotas que o A321P2F consegue servir, o que revela uma maior oscilação na necessidade deste avião.

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Miguel Ângelo Ferreira

Miguel Ângelo Ferreira é guia de natureza certificado e fotógrafo de paisagem, especializado no Parque Nacional da Peneda-Gerês e nos seus percursos pedestres. Dedica-se à divulgação responsável das cascatas, lagoas e trilhos do Gerês, aliando conhecimento do património natural local a práticas de turismo sustentável e seguro.

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