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Estrutura de 5.000 anos em Inglaterra pode mudar a história de Stonehenge

Jovem arqueólogo escava no sítio de Stonehenge ao pôr do sol, com céu azul e nuvens dispersas.
Neste artigo
  1. Como poderá esta descoberta reescrever a história de Stonehenge?
  2. Porque surpreendeu os investigadores o alinhamento com os solstícios?
  3. A datação revelou que o local antecede as pedras famosas
  4. O que surgiu nas escavações em Bulford?
  5. Especialistas consideram que a descoberta alarga o conhecimento sobre o passado

Uma estrutura com 5.000 anos, descoberta em Inglaterra, poderá alterar o que se sabe sobre as origens de Stonehenge: revela que conhecimentos astronómicos avançados eram aplicados séculos antes do célebre monumento de pedras.

Como poderá esta descoberta reescrever a história de Stonehenge?

Uma antiga estrutura com 5.000 anos, localizada em Bulford, no sudoeste de Inglaterra, despertou o interesse dos arqueólogos devido às suas fortes semelhanças com Stonehenge. O sítio situa-se a apenas cerca de cinco quilómetros do monumento pré-histórico.

Em vez de imponentes blocos de pedra, a construção era composta por dois postes de madeira, afastados entre si aproximadamente 120 metros. A organização destes elementos sugere que o local desempenhava uma função que ia muito além da mera delimitação de território.

Porque surpreendeu os investigadores o alinhamento com os solstícios?

As análises indicam que os postes foram colocados com precisão para assinalar o nascer do Sol no solstício de verão e o pôr do Sol no solstício de inverno, reproduzindo o padrão identificado em Stonehenge.

De acordo com os arqueólogos, este alinhamento demonstra que as comunidades pré-históricas já dominavam métodos de observação do céu muito antes de serem erguidas as famosas pedras. Isto aponta para uma tradição astronómica ainda mais antiga.

A datação revelou que o local antecede as pedras famosas

Recorrendo a técnicas de datação por radiocarbono, os investigadores concluíram que os postes foram instalados há cerca de cinco mil anos. Esta cronologia coincide com os primeiros trabalhos de movimentação de terras em Stonehenge.

As enormes pedras que converteram o monumento num dos mais reconhecidos do mundo só seriam instaladas aproximadamente 500 anos mais tarde, o que reforça a hipótese de Bulford poder ter funcionado como uma inspiração inicial.

O que surgiu nas escavações em Bulford?

Além da estrutura central, a equipa identificou vários objetos que ajudam a perceber de que forma estas populações utilizavam o espaço. Os vestígios apontam para encontros comunitários associados às mudanças das estações.

Entre os materiais mais relevantes encontrados incluem-se:

  • Cerâmicas usadas pelas comunidades locais.
  • Ossos de animais, que sugerem possíveis banquetes ou rituais.
  • Carvão vegetal, relacionado com a utilização de fogueiras.
  • Sílex trabalhado, usado no fabrico de ferramentas.
  • Uma rara faca em forma de disco, que poderá simbolizar o Sol.

Especialistas consideram que a descoberta alarga o conhecimento sobre o passado

Para os responsáveis pelo estudo, a descoberta sugere que Stonehenge integra provavelmente uma tradição muito mais antiga, desenvolvida ao longo de gerações e assente na ligação entre as pessoas, a paisagem e os movimentos do Sol.

Apesar de investigadores independentes considerarem os resultados bastante promissores, os especialistas sublinham que a publicação integral dos estudos científicos continuará a ser importante para confirmar todas as interpretações relativas ao local.

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Miguel Ângelo Ferreira

Miguel Ângelo Ferreira é guia de natureza certificado e fotógrafo de paisagem, especializado no Parque Nacional da Peneda-Gerês e nos seus percursos pedestres. Dedica-se à divulgação responsável das cascatas, lagoas e trilhos do Gerês, aliando conhecimento do património natural local a práticas de turismo sustentável e seguro.

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