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Autocarros elétricos Yutong na Noruega podem ser desligados remotamente

Homem a trabalhar num autocarro com um computador portátil e dispositivos digitais, autocarros alinhados ao fundo.
Neste artigo
  1. Vulnerabilidade nos autocarros elétricos da Yutong
  2. Dinamarca alerta para o mesmo
  3. Cibersegurança nos veículos conectados

A conectividade cada vez maior dos veículos está a levantar novas preocupações em matéria de cibersegurança. Funcionalidades antes consideradas uma vantagem tecnológica - como as atualizações à distância e a monitorização em tempo real - passaram a ser encaradas como um possível perigo para infraestruturas críticas.

Vulnerabilidade nos autocarros elétricos da Yutong

Foi precisamente isso que ocorreu na Noruega, onde se concluiu que centenas de autocarros elétricos fabricados na China poderiam, em teoria, ser desligados remotamente pelo fabricante.

A conclusão resultou de uma auditoria de cibersegurança conduzida pela Ruter, a maior operadora de transportes públicos norueguesa. A empresa analisou os autocarros elétricos da Yutong que explora - uma das maiores fabricantes chinesas deste tipo de veículos - e determinou que o acesso digital direto do construtor a cada autocarro, destinado a atualizações de software e diagnósticos remotos, cria a possibilidade teórica de o imobilizar ou desativar à distância.

Neste momento, a Ruter consegue cortar essa ligação à rede através da simples remoção do cartão SIM, uma vez que toda a conectividade assenta nesse único ponto de acesso.

Apesar de não existirem indícios de atividade maliciosa, a operadora norueguesa retirou os cartões SIM para assegurar que todos os autocarros podem funcionar de forma autónoma e offline. De acordo com a empresa, circulam atualmente cerca de 1300 autocarros elétricos no país, sendo 850 fabricados pela Yutong.

Além dos veículos da Yutong, a auditoria abrangeu autocarros da empresa neerlandesa VDL. Como estes não permitem atualizações remotas de software, são considerados menos vulneráveis.

Dinamarca alerta para o mesmo

O problema não se limitou à Noruega. Pouco depois deste caso, a Dinamarca confirmou ter identificado o mesmo género de vulnerabilidade na sua frota de autocarros elétricos chineses.

A Movia, operadora responsável pelos transportes públicos da capital dinamarquesa, afirma explorar 469 autocarros fabricados no país asiático, dos quais 262 são da Yutong.

Face às preocupações, e segundo o jornal The Guardian, a fabricante chinesa declarou que cumpre “rigorosamente as leis, regulamentos e normas aplicáveis nos países onde os seus veículos operam”, acrescentando que todos os dados da União Europeia (UE) “estão protegidos por encriptação e medidas de controlo de acesso”, num centro de dados da Amazon Web Services, em Frankfurt, na Alemanha.

Cibersegurança nos veículos conectados

Como seria expectável, o caso reabriu um debate mais vasto sobre a cibersegurança dos veículos conectados, sobretudo numa fase em que um número crescente de automóveis e autocarros recebe atualizações remotas e transmite dados em tempo real.

“A próxima geração de autocarros terá uma maior integração tecnológica entre sistemas, o que tornará mais difícil implementar firewalls (sistema de segurança que atua como uma barreira entre duas redes). Temos, portanto, uma janela tecnológica limitada para aplicar as medidas de segurança necessárias agora”, afirmou Bernt Reitan Jenssen, diretor executivo da Ruter.

A questão também ultrapassa as fronteiras europeias. Nos EUA, o Departamento do Comércio proibiu este ano a venda de sistemas conectados provenientes da China e da Rússia. A tecnologia de sensores da fabricante de pneus Pirelli - parcialmente controlada pela chinesa Sinochem - também foi sujeita a um escrutínio semelhante.

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Miguel Ângelo Ferreira

Miguel Ângelo Ferreira é guia de natureza certificado e fotógrafo de paisagem, especializado no Parque Nacional da Peneda-Gerês e nos seus percursos pedestres. Dedica-se à divulgação responsável das cascatas, lagoas e trilhos do Gerês, aliando conhecimento do património natural local a práticas de turismo sustentável e seguro.

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