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Viagens superam bens materiais como investimento em qualidade de vida para brasileiros

Mulher sentada a planear viagem com mapa, passaporte, notas adesivas e jarra com dinheiro na mesa.

Comprar um automóvel novo, substituir o telemóvel ou adquirir outros bens materiais deixou de liderar a lista de desejos de muitos brasileiros. Um estudo da Booking.com mostra que 75% dos viajantes do país retiram maior satisfação das viagens do que da compra de bens materiais, ao passo que 87% entendem as viagens como um investimento directo na qualidade de vida.

O inquérito, que reuniu 1.200 participantes em todo o país, confirma que a procura de experiências, bem-estar e contacto com outras culturas passou a ser vista como uma prioridade financeira devidamente planeada.

Viagens como investimento em qualidade de vida

A valorização intangível do turismo é ainda mais evidente nas gerações mais maduras. Para 93% dos membros da Geração X e 90% dos Boomers, viajar representa um investimento na saúde e na qualidade de vida.

Do mesmo modo, mais de um terço dos inquiridos inclui as viagens entre os seus principais objectivos pessoais de vida. Entre os Millennials, esta proporção sobe para 43%.

Orçamento e prioridades de viagem por geração

Ainda assim, o factor económico continua a ter um peso determinante: 44% dos participantes dizem gostar de viajar apenas quando a experiência se enquadra totalmente no orçamento, enquanto 11% precisam de um longo planeamento financeiro antecipado. Entre os jovens da Geração Z, esse valor aumenta para 17%.

Para continuarem a viajar sem pôr as finanças em risco, os brasileiros revelam flexibilidade e disciplina orçamental. Sete em cada dez inquiridos (72%) afirmam que reduziriam despesas do dia a dia para assegurar a próxima viagem, uma atitude especialmente impulsionada pelos Millennials e pela Geração X.

Entre os sacrifícios mais comuns para dar prioridade ao turismo estão adiar a compra de bens materiais, reduzir a presença em eventos sociais e postergar a substituição do automóvel ou de equipamentos electrónicos.

A procura de poupança também influencia o próprio planeamento do itinerário. Quase nove em cada dez brasileiros já fizeram algum ajuste prático para adaptar a viagem ao orçamento. As opções mais frequentes passam por viajar em épocas baixas, acompanhar promoções de voos e alojamento e recorrer ao pagamento em prestações para tornar a experiência possível.

Estratégias para equilibrar o orçamento de viagem

Para que os planos caibam no orçamento, 89% dos brasileiros já alteraram os seus hábitos de viagem. As estratégias mais escolhidas são:

  • Viajar na época baixa: 39% dos inquiridos escolhem períodos mais económicos;
  • Procurar promoções: 36% acompanham preços e ofertas;
  • Pagamento em prestações: 27% recorrem a esta opção para distribuir os custos sem desistir da experiência;
  • Redução de despesas não essenciais: 23% adiam a compra de bens materiais, 23% cortam nos eventos sociais e 18% postergam a troca de equipamentos electrónicos ou do automóvel.

Para lá das mudanças práticas, há uma componente emocional relevante: 70% dos participantes dizem sentir menos culpa ao investir numa viagem do que ao comprar bens materiais.

Mesmo assim, os brasileiros não tomam decisões por impulso. Perante uma quantia extra inesperada no orçamento, 29% preferem investir o dinheiro e 26% reservam-no para uma viagem futura, o que demonstra que a procura de novas experiências e culturas se tornou um objectivo financeiro estruturado.

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Miguel Ângelo Ferreira

Miguel Ângelo Ferreira é guia de natureza certificado e fotógrafo de paisagem, especializado no Parque Nacional da Peneda-Gerês e nos seus percursos pedestres. Dedica-se à divulgação responsável das cascatas, lagoas e trilhos do Gerês, aliando conhecimento do património natural local a práticas de turismo sustentável e seguro.

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