No Google Flights, a empresa de Mountain View já disponibiliza um filtro que permite seleccionar as alternativas menos poluentes ao pesquisar uma viagem de avião. No entanto, a tecnológica pretende avançar mais, propondo às companhias aéreas pequenos ajustes às rotas que podem reduzir significativamente o respectivo impacto climático. Para o conseguir, recorre à inteligência artificial para ajudar as aeronaves a evitar os rastros de condensação.
“Quando olha para um céu limpo e vê linhas brancas finas atrás dos aviões, está a observar rastros de condensação. Estas nuvens formam-se quando o vapor de água se condensa à volta de partículas de fuligem presentes nos gases de escape dos motores. Embora possam parecer inofensivos, estes rastros de condensação, que contribuem para o aquecimento global, representam cerca de um terço do impacto climático total da aviação”, recorda a Google numa publicação recente.
10 000 voos abrangidos
A Google desenvolveu uma IA capaz de antecipar a formação destes rastros. Depois de realizar várias parcerias para testar a tecnologia, incluindo uma com a American Airlines, a empresa formalizou agora uma colaboração com o Governo do Reino Unido para a experimentar numa escala maior. Neste teste, denominado Operation Blue Skies, a IA será aplicada no espaço aéreo de Swanwick, situado na metade oriental do corredor do Atlântico Norte.
“O programa de 30 meses inclui dois ensaios operacionais, cada um com uma duração de cerca de quatro meses”, explica a Google. Durante os períodos de testes, prevê-se que aproximadamente 10 000 voos atravessem este espaço aéreo todos os anos. Uma parte destas aeronaves será ligeiramente desviada para evitar a criação de rastros de condensação.
Como prevê a Google os rastros de condensação?
Para criar esta tecnologia, a Google examinou imagens de satélite e os seus engenheiros classificaram dezenas de milhares de imagens de rastros de condensação ao longo de centenas de horas. Esse trabalho permitiu desenvolver um modelo de visão computacional capaz de reconhecer estes fenómenos. Mais tarde, o modelo foi associado a uma enorme quantidade de dados meteorológicos, informações de voo e imagens de satélite, dando origem a uma IA que consegue prever os rastros.
A eficácia da solução já tinha sido demonstrada na colaboração entre a Google e a American Airlines. “As previsões de rastros de condensação geradas pela IA da Google foram integradas no software de planeamento de voos da American Airlines e utilizadas num ensaio que abrangeu 2 400 voos transatlânticos incluídos no programa de voos habitual da companhia. Nos voos que seguiram com sucesso os planos de prevenção de rastros de condensação, a taxa de formação destes rastros diminuiu 62% face ao grupo de controlo”, afirmava a Google em março.
A saber
A nova iniciativa com o Governo do Reino Unido é anunciada numa altura em que a Google também adquiriu dados, sem informações pessoais, de uma companhia aérea que declarou falência. “Adquirimos parte dos dados empresariais da Spirit Airlines, que poderão ser úteis para melhorar os nossos produtos e modelos de IA”, tinha confirmado a empresa de Mountain View.






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