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8 tecnologias de ponta nos cockpits que tornam os voos mais seguros

Dois pilotos controlam um avião com vista para um nascer do sol acima das nuvens.
Neste artigo
  1. TCAS: evitar colisões em voo
  2. EGPWS: o detetor de relevo
  3. Vibrador e impulsor do manche: o sistema antiperda de sustentação
  4. Fly-by-Wire: o computador que evita erros humanos
  5. HUD: o visor frontal para manter os olhos na pista
  6. ROPS e RAAS: evitar saídas de pista
  7. FADEC: o computador que protege os motores
  8. Predictive Windshear: o radar meteorológico altamente sofisticado
  9. Autoland e ILS CAT III: a aterragem automática no nevoeiro

A aviação comercial nunca foi tão segura, em parte devido a um conjunto de inovações pouco conhecidas. Conheça 8 tecnologias avançadas instaladas nas cabinas de pilotagem, que contribuem para que os voos decorram sem problemas.

Do ponto de vista estatístico, o avião continua a ser o meio de transporte mais seguro do mundo. Se as catástrofes aéreas se tornaram extremamente raras, isso deve-se igualmente a instrumentos de última geração que monitorizam o voo de forma contínua. Estes conseguem detetar um perigo antes mesmo de ser identificado por uma pessoa.

Colisões, relevo, perda de sustentação, condições meteorológicas extremas ou desorientação no solo: cada sistema é dedicado a uma ameaça específica, prevenindo incidentes potencialmente fatais e assegurando diariamente a segurança de milhões de passageiros.

TCAS: evitar colisões em voo

Embora o céu pareça imenso, as rotas aéreas têm um tráfego muito intenso e é sempre possível que uma aeronave se cruze com outra. Para responder a esse risco foi criado o Sistema de Alerta de Tráfego e Prevenção de Colisões (TCAS), também designado por ACAS. Este equipamento permite que os aviões se detetem diretamente através dos respetivos transponders, sem depender sequer dos controladores de tráfego aéreo em terra.

Quando duas trajetórias convergem de forma perigosa, o TCAS calcula de imediato uma manobra evasiva e transmite uma instrução vocal firme e prioritária às tripulações: uma aeronave deve subir e a outra deve descer.

A sua importância ficou demonstrada há poucos dias, quando dois aviões comerciais espanhóis, das companhias Iberia e Air Europa, seguiram pela mesma rota sobre o Atlântico. Avisada atempadamente pelo TCAS, a primeira aeronave desceu bruscamente, enquanto a segunda ganhou altitude, evitando um acidente catastrófico.

EGPWS: o detetor de relevo

Durante um voo, as fases de descida e de aproximação são aquelas em que o perigo é maior: um relevo mal avaliado pode aproximar-se muito mais depressa do que a tripulação prevê. Contudo, os aviões dispõem do Sistema Avançado de Aviso de Proximidade do Solo (EGPWS), destinado a alertar para a proximidade do terreno.

O sistema cruza, em tempo real, a posição GPS da aeronave, a velocidade e a altitude com uma base de dados cartográfica tridimensional de todo o mundo, antecipando assim o relevo que se encontra à frente. Caso identifique uma colina, uma montanha ou outro obstáculo na trajetória, ativa na cabina um alarme sonoro sintetizado impossível de ignorar. A tripulação sabe então que tem de puxar imediatamente o avião para recuperar altitude.

Vibrador e impulsor do manche: o sistema antiperda de sustentação

Para se manter no ar, uma aeronave precisa de um fluxo de ar constante sobre as asas. Se a velocidade baixar demasiado ou se o ângulo de subida for excessivo, perde sustentação e entra em perda. Para evitar essa situação, os aviões comerciais recorrem a um conjunto mecânico e físico: o vibrador do manche (stick shaker) e o impulsor do manche (stick pusher).

Assim que os sensores indicam que o avião se aproxima da velocidade crítica, o vibrador do manche fá-lo tremer com grande violência e emite simultaneamente um ruído seco, impossível de não notar. Se a tripulação não reagir de imediato, entra em ação o impulsor do manche: um atuador empurra mecanicamente e com firmeza o manche para a frente, fazendo o avião baixar o nariz, recuperar velocidade e voltar a obter sustentação de forma imediata.

Este sistema continua a ser indispensável na maioria dos Boeing, nos aviões regionais, como os ATR, e nos modelos mais antigos. Já a Airbus optou por não o utilizar nos seus aviões modernos, preferindo proteções inteiramente informáticas.

Fly-by-Wire: o computador que evita erros humanos

A maioria dos aviões atuais utiliza o Fly-by-Wire, ou seja, comandos de voo elétricos. Os movimentos efetuados no manche deixaram de acionar fisicamente as superfícies do avião: passam antes a enviar sinais elétricos para computadores de bordo, que analisam e executam a ordem.

Estes computadores conhecem os limites físicos da aeronave: mesmo que um piloto em pânico puxe o manche totalmente para trás ou incline o avião de forma extrema, o software recusa cumprir instruções perigosas e mantém a aeronave dentro de trajetórias seguras.

HUD: o visor frontal para manter os olhos na pista

Diretamente herdada da aviação de combate, a tecnologia HUD (Head-Up Display, ou visor frontal) também se afirmou nas cabinas dos aviões comerciais. Consiste num vidro transparente colocado mesmo diante dos olhos do piloto, onde são projetados a verde fluorescente os dados de voo essenciais: velocidade, altitude, horizonte artificial e eixo da pista.

Desta forma, o piloto consulta todas estas informações vitais sem ter de desviar o olhar para os ecrãs de bordo. Assim, durante aterragens com condições meteorológicas muito adversas, o sistema sobrepõe a trajetória ideal diretamente à imagem do exterior, proporcionando uma precisão de orientação essencial no momento mais crítico do voo.

ROPS e RAAS: evitar saídas de pista

Aterrar ou circular em terra com mau tempo envolve dois riscos principais: ultrapassar o final da pista ou seguir pela via errada. Felizmente, dois sistemas complementares estão atentos. O Sistema de Consciência e Aviso de Pista (RAAS) funciona como um GPS vocal de elevada precisão: informa o piloto sobre a pista em que se encontra e avisa-o se entrar na via errada ou numa pista demasiado curta.

Depois da aterragem, o Sistema de Prevenção de Ultrapassagem de Pista (ROPS) assume a função. Calcula em tempo real a distância de travagem ainda disponível, tendo em conta a meteorologia e a velocidade. Se concluir que o avião corre o risco de chegar ao fim da pista, emite um alerta sonoro e aplica a travagem máxima.

FADEC: o computador que protege os motores

Num avião moderno, o piloto já não controla diretamente a entrada de querosene no motor. Essa gestão cabe ao Controlo Digital Integral do Motor (FADEC), um computador dedicado instalado em cada reator.

O piloto limita-se a selecionar a potência pretendida através das manetes de potência. Depois, o sistema regula a combustão ao milésimo de segundo, considerando a temperatura, a altitude e a pressão. A sua missão principal é evitar danos: impede o motor de sobreaquecer, de ficar sem alimentação de ar ou de explodir, ao mesmo tempo que otimiza o consumo de combustível em todas as fases do voo.

Predictive Windshear: o radar meteorológico altamente sofisticado

As microrrajadas descendentes, correntes de ar frio violentas e muito localizadas, são um dos maiores pesadelos dos pilotos a baixa altitude, sobretudo no momento da aterragem. O sistema Predictive Windshear foi concebido precisamente para as identificar. Para isso, utiliza o radar meteorológico de bordo para analisar as moléculas de água e poeira à frente da aeronave.

Ao medir o movimento dessas partículas, deteta cisalhamentos de vento perigosos a algumas milhas náuticas antes de o avião os encontrar, dando tempo à tripulação ou ao piloto automático para aplicar potência máxima e interromper a aterragem atempadamente.

Autoland e ILS CAT III: a aterragem automática no nevoeiro

Quando a visibilidade é quase inexistente, entram em funcionamento o ILS CAT III - emissores de rádio instalados no solo que conduzem o avião por um corredor virtual até ao centro da pista - e a função Autoland do piloto automático.

A aeronave trata de tudo de forma autónoma: desde a descida até ao toque das rodas, incluindo o arredondamento sobre o asfalto, o alinhamento e a travagem automática. À tripulação cabe vigiar os instrumentos, sem mexer nos comandos.

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Miguel Ângelo Ferreira

Miguel Ângelo Ferreira é guia de natureza certificado e fotógrafo de paisagem, especializado no Parque Nacional da Peneda-Gerês e nos seus percursos pedestres. Dedica-se à divulgação responsável das cascatas, lagoas e trilhos do Gerês, aliando conhecimento do património natural local a práticas de turismo sustentável e seguro.

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