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Holambra: a história da Cidade das Flores e da produção de flores

Homem jovem numa plantação de tulipas coloridas com moinho tradicional ao fundo, segurando uma câmara fotográfica.
Neste artigo
  1. Como se tornou Holambra, uma colónia neerlandesa, a Cidade das Flores?
  2. Terá Holambra 300 hectares de plantações de flores?
  3. Porque continua Holambra tão ligada à produção de flores?
  4. Porque torna setembro a cidade um dos destinos mais procurados?
  5. O que distingue Holambra de outras cidades do interior?

Holambra, no interior do estado brasileiro de São Paulo, construiu a sua identidade entre estufas, campos de flores e tradições levadas por imigrantes dos Países Baixos. A colónia teve início em 1948 e, décadas mais tarde, tornou-se um dos principais polos brasileiros de flores e plantas ornamentais, bem como um destino turístico conhecido em todo o país como Capital Nacional das Flores.

Como se tornou Holambra, uma colónia neerlandesa, a Cidade das Flores?

Em 1948, os primeiros imigrantes neerlandeses chegaram à antiga Fazenda Ribeirão. Nesse mesmo ano foram organizadas a colónia de Holambra e a sua cooperativa, com planos inicialmente centrados na produção agrícola e pecuária. O nome da localidade combina partes das palavras Holanda, América e Brasil.

A floricultura afirmou-se mais tarde. Segundo registos históricos, o cultivo comercial de flores começou na década de 1950, com destaque para os gladíolos. Os conhecimentos técnicos, o cooperativismo e a comercialização organizada contribuíram para o crescimento da atividade, até fazerem da região uma referência nacional.

  • A imigração neerlandesa teve início em 1948;
  • As primeiras famílias foram acolhidas na antiga Fazenda Ribeirão;
  • A produção agrícola e pecuária precedeu a especialização em flores;
  • O cultivo de gladíolos ganhou expressão a partir da década de 1950;
  • O modelo cooperativo ajudou a organizar a floricultura local.

Terá Holambra 300 hectares de plantações de flores?

A referência a mais de 300 hectares dedicados a flores e plantas ornamentais surge frequentemente em materiais sobre Holambra. Contudo, nas páginas atuais consultadas da câmara municipal ou da Cooperativa Veiling, não existe um levantamento consolidado do município que permita apresentar exatamente 300 hectares como um dado oficial atualizado. É, por isso, mais adequado encarar a medida como uma estimativa recorrente da dimensão histórica do polo do que como um recenseamento rigoroso da área hoje cultivada.

Veja o vídeo do canal Quero Viagem now, que mostra tudo o que é necessário saber para viajar até Holambra:

Porque continua Holambra tão ligada à produção de flores?

A cidade continua rodeada de produtores, estufas, empresas e estruturas especializadas de comercialização. Dados públicos mais antigos chegaram a atribuir a Holambra cerca de 40% da produção brasileira. Informações mais recentes do Ministério do Turismo não avançam, porém, uma percentagem fechada e indicam que o município é responsável por uma parte importante da produção e da comercialização do setor.

A atividade passou também a integrar a paisagem e o turismo. Os campos de flores, as propriedades produtoras e o Moinho Povos Unidos reforçam a ligação visual à herança neerlandesa. Construído em 2008 para assinalar os 60 anos da imigração, o moinho tem cerca de 38 metros e oferece vista sobre zonas rurais e áreas de produção.

  • As estufas permitem cultivar várias espécies durante todo o ano;
  • As cooperativas concentram a comercialização e a logística;
  • Os produtores dedicam-se a flores de corte e a plantas em vaso;
  • O turismo rural leva os visitantes até às áreas de cultivo;
  • A arquitetura e os eventos preservam elementos da cultura neerlandesa.

Porque torna setembro a cidade um dos destinos mais procurados?

A primavera coincide com a Expoflora, evento que dá projeção nacional a Holambra e atrai centenas de milhares de visitantes. Em 2026, a 43.ª edição decorre de 28 de agosto a 27 de setembro, às sextas-feiras, aos sábados e aos domingos, bem como no feriado de 7 de setembro. A programação apresenta mais de mil variedades de flores e plantas e ajuda a explicar o aumento da afluência turística nesse período.

O que distingue Holambra de outras cidades do interior?

As flores são apenas uma parte da identidade da cidade. Praças cuidadas, fachadas inspiradas na arquitetura neerlandesa, gastronomia, festas tradicionais e símbolos como o Moinho Povos Unidos mantêm visível a história da imigração. A própria câmara municipal apresenta Holambra como Cidade das Flores, enquanto o Ministério do Turismo salienta a preservação da cultura neerlandesa na arquitetura, na gastronomia e nas manifestações locais.

O resultado é uma cidade onde se cruzam a produção agrícola, a memória dos imigrantes e o turismo. Mais importante do que fixar a paisagem num número exato de hectares é compreender a escala desta especialização: desde os primeiros cultivos da década de 1950, as flores deixaram de ser apenas uma atividade económica e passaram a definir a imagem de Holambra para quem chega ao município paulista.

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Miguel Ângelo Ferreira

Miguel Ângelo Ferreira é guia de natureza certificado e fotógrafo de paisagem, especializado no Parque Nacional da Peneda-Gerês e nos seus percursos pedestres. Dedica-se à divulgação responsável das cascatas, lagoas e trilhos do Gerês, aliando conhecimento do património natural local a práticas de turismo sustentável e seguro.

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