A Boeing está perto de obter a certificação do 737 MAX 10, a maior versão da família de aeronaves de corredor único da fabricante norte-americana. O secretário dos Transportes dos Estados Unidos, Sean Duffy, deverá anunciar a aprovação esta terça-feira (20), durante uma visita à fábrica da empresa em Everett, no estado de Washington, segundo fontes conhecedoras dos planos citadas pela Reuters.
Espera-se que o anúncio assinale uma nova fase para o programa, que acumula anos de atrasos. Na sexta-feira, a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla inglesa) realizou uma reunião de revisão do Conselho de Certificação de Tipo, composto por membros da direção da agência. Este procedimento é uma das últimas etapas antes da decisão sobre a certificação.
Contactada pela Reuters, a Boeing remeteu as perguntas para a FAA, que ainda não se tinha pronunciado até à publicação das informações.
Modelo estratégico para a Boeing e as companhias aéreas
O 737 MAX 10 pode transportar mais passageiros do que as restantes versões da família MAX. Considerado estratégico para a expansão de várias companhias aéreas, o avião representa cerca de 30% da carteira de encomendas pendentes da Boeing para a família 737, com quase 1.500 unidades encomendadas.
A United Airlines, a Alaska Airlines, a Ryanair, a GOL Linhas Aéreas, a Delta Air Lines e a American Airlines estão entre as companhias que encomendaram o modelo. A fabricante já construiu algumas unidades do MAX 10, que aguardam a conclusão da certificação para serem entregues aos clientes.
A fábrica de Everett, que Duffy deverá visitar esta terça-feira, recebeu em julho uma nova linha de produção do 737 MAX, no âmbito dos esforços da Boeing para aumentar o fabrico desta família. O modelo também é montado na unidade da cidade vizinha de Renton, mais próxima de Seattle.
Fiscalização mais rigorosa do 737 MAX
O percurso até à certificação ficou marcado por problemas técnicos e por uma fiscalização mais exigente da autoridade norte-americana. O processo de aprovação dos aviões da família MAX passou a ser alvo de maior escrutínio após os acidentes mortais com modelos 737 MAX 8 em 2018 e 2019, que causaram centenas de mortes.
A pressão sobre a fabricante voltou a aumentar em janeiro de 2024, quando um painel da fuselagem de um 737 MAX 9 da Alaska Airlines se soltou durante o voo. O incidente deu origem a novas exigências relativas aos controlos de qualidade e aos procedimentos de produção da Boeing.
No MAX 10, um problema no sistema de proteção contra a formação de gelo nos motores, identificado em 2023, contribuiu para prolongar o desenvolvimento e a certificação das versões maiores da família. Mais recentemente, no final de setembro, a Boeing comunicou uma falha numa atualização do software de navegação do 737 MAX. De acordo com a Reuters, a FAA concluiu que o problema não representava um risco para a segurança e não exigiu a sua correção como condição para a certificação.
Certificação do 737 MAX 7 e do 777-9
A situação do MAX 10 surge após outro avanço regulamentar para a fabricante. Em agosto, a FAA aprovou o 737 MAX 7, a versão mais pequena da família, depois de mais de oito anos de análise. Antes dos atrasos acumulados no programa, a Boeing previa começar a entregar o MAX 10 em 2020.
Além dos modelos 737 MAX, a empresa continua a trabalhar na certificação do 777-9, o maior avião comercial em produção da fabricante. O programa regista um atraso de cerca de seis anos, mas a Boeing mantém a previsão de concluir a certificação e iniciar as entregas em 2027.






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