A Subsecretaria dos Transportes Aéreos da Argentina autorizou o Grupo Ethiopian Airlines a operar no país serviços regulares exclusivamente de carga, com direitos de tráfego da terceira à nona liberdade do ar. A decisão consta da Portaria 26/2026, publicada esta quinta-feira (8) no Diário Oficial argentino.
A autorização foi assinada a 5 de outubro pelo subsecretário dos Transportes Aéreos, Hernán Adrián Gómez. O documento permite à empresa realizar operações internacionais de carga e determina a notificação da companhia e a comunicação da decisão à Administração Nacional de Aviação Civil (ANAC) argentina.
De acordo com a subsecretaria, a Ethiopian Airlines preencheu os requisitos legais e administrativos exigidos e a operação está abrangida pelo acordo bilateral entre os dois países. A autoridade teve ainda em conta o parecer favorável da Direção Nacional dos Transportes Aéreos da ANAC argentina.
A portaria não define, contudo, os aeroportos, as frequências ou os modelos de aeronaves a utilizar nos serviços autorizados, conforme noticiou o Aviacionline.
Rota de carga da Ethiopian Airlines para Buenos Aires
O Ministério dos Transportes argentino informou que a Ethiopian Airlines tenciona iniciar, a 31 de outubro de 2026, um serviço dedicado ao transporte de carga, com frequência semanal, na rota Adis Abeba–Lagos–São Paulo–Buenos Aires e chegada ao Aeroporto Internacional de Ezeiza.
A companhia já assegura voos regulares de passageiros nesse itinerário, com sete frequências semanais e uma escala em São Paulo, no Aeroporto Internacional de Guarulhos. A atual programação inclui os voos ET506 e ET507, realizados com aeronaves Boeing 777-200LR.
A nova autorização não confirma, porém, que o serviço de carga seguirá exatamente a mesma programação ou utilizará o mesmo modelo de aeronave. Esses pormenores dependem do planeamento operacional da companhia e da coordenação com as autoridades aeronáuticas e os aeroportos envolvidos.
Direitos de tráfego e acordo bilateral
A autorização contempla vários direitos de tráfego aéreo. A terceira e a quarta liberdades permitem transportar carga entre o país de origem da companhia e outro país. Já a quinta permite embarcar ou desembarcar carga num terceiro país durante uma rota internacional ligada ao país de origem.
A sexta e a sétima liberdades permitem efetuar operações entre países estrangeiros, respetivamente com ou sem passagem pelo país de origem da companhia aérea.
Por sua vez, a oitava liberdade permite transportar passageiros ou carga entre dois pontos de outro país como parte de um serviço internacional. A nona abrange operações domésticas independentes dentro de um país estrangeiro, uma modalidade conhecida como cabotagem.
O facto de a autorização argentina incluir estes direitos não significa que a Ethiopian Airlines venha a iniciar voos de carga entre cidades argentinas. A portaria não fixa rotas domésticas nem frequências para esse tipo de operação, e a companhia teria ainda de definir os serviços e cumprir os procedimentos operacionais aplicáveis.
A medida está ligada ao Memorando de Entendimento assinado a 16 de janeiro de 2025, no Palácio de San Martín, pelo então secretário dos Transportes argentino, Franco Mogetta, e pelo diretor-geral da Autoridade de Aviação Civil da Etiópia, Getachew Mengistie.
O acordo alargou as possibilidades de operação entre os dois países, com a expansão de frequências e rotas e a concessão de direitos de tráfego até à nona liberdade para várias modalidades de transporte aéreo, incluindo serviços exclusivamente de carga.
Segundo o governo argentino, tratou-se do 12.º acordo de liberalização do transporte aéreo assinado pela administração de Javier Milei, depois dos entendimentos com Brasil, Chile, Peru, Equador, Canadá, Panamá, Uruguai, Paraguai, México, Ruanda e República Dominicana.
O texto da Portaria 26/2026 contém duas inconsistências de redação nos considerandos: um indica incorretamente 2026 como o ano do memorando assinado em 2025, enquanto outro identifica a empresa como uma companhia aérea dos Emirados Árabes Unidos. No restante documento, a Ethiopian Airlines é identificada como a empresa beneficiária da autorização.
Frota e ligações da Ethiopian Cargo
A Ethiopian Cargo é a divisão de transporte de carga do grupo e serve mais de 70 mercados em África, na Ásia, na Europa, no Médio Oriente e na América do Norte. A sua frota de carga integra 12 Boeing 777F, dois Boeing 767F e quatro Boeing 737-800SF.
A 30 de setembro, a companhia anunciou uma encomenda firme à Boeing de oito aeronaves 777-8F e mais duas unidades do 777 Freighter. Com esta encomenda, tornou-se a primeira cliente africana do 777-8F, modelo cuja capacidade estrutural máxima de carga útil será de aproximadamente 118 toneladas.
Essas aeronaves não estarão, no entanto, disponíveis para o início das operações previsto em Ezeiza no final de outubro. O novo serviço deverá recorrer a um dos modelos já existentes na frota da empresa.
Para a Argentina, a operação cria a possibilidade de reforçar as ligações de carga ao centro de distribuição da Ethiopian Airlines em Adis Abeba, na Etiópia, que oferece ligações a mercados africanos, asiáticos, europeus e do Médio Oriente.
O serviço poderá também transportar produtos perecíveis, peças automóveis e carga geral. A escala em São Paulo tira partido de uma ligação já existente na rede sul-americana da companhia, embora a frequência semanal prevista para o avião de carga continue dependente da implementação da programação operacional.






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