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PGA Hotels & Resorts capta R$ 25 milhões na B3 para expansão com Marriott

Homem em varanda olha para o mar com planta de construção, maquete e tablet na mesa ao pôr do sol.
Neste artigo
  1. Capital para acelerar novos projectos no Nordeste
  2. Da hotelaria de Porto de Galinhas à B3
  3. Westin chega à Paraíba
  4. City Express prevê 30 hotéis
  5. Marriott reforça aposta no Brasil

O grupo pernambucano PGA Hotels & Resorts angariou R$ 25 milhões através de notas comerciais na B3, destinados a financiar o crescimento da sua actividade hoteleira no Nordeste do Brasil. A operação assinala a estreia da empresa no mercado de capitais e acontece numa fase de reforço da parceria com a Marriott International, que abrange projectos sob as marcas Westin e City Express by Marriott.

A cerimónia que formalizou a operação decorreu na B3, em São Paulo, e contou com dirigentes da PGA, da Fábrica de Hotéis e do Itaú Empresas, bem como com executivos da Marriott responsáveis pelo desenvolvimento da actividade na América Latina e no Brasil.

O montante obtido será aplicado no pipeline de empreendimentos da PGA. Os recursos poderão suportar várias fases dos projectos, desde o desenvolvimento e as aprovações até à implementação, construção, compra de equipamentos e mobiliário, além da preparação dos hotéis para a inauguração.

Para uma empresa do sector hoteleiro, esta via de financiamento assume especial importância, uma vez que o período entre a definição de um projecto e o início da exploração pode implicar investimentos durante vários anos, antes de o activo começar a gerar receitas.

Capital para acelerar novos projectos no Nordeste

A emissão, estruturada pelo Itaú Empresas, foi realizada ao abrigo do Regime Fácil, instrumento criado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para tornar mais simples o acesso de empresas de menor dimensão ao mercado de capitais. O modelo abrange companhias com receitas brutas anuais até R$ 500 milhões e pretende diminuir os custos e simplificar os processos associados a emissões de dívida.

A PGA esteve entre as primeiras empresas a recorrer a este mecanismo. Em maio, as três operações concluídas nos primeiros meses do Regime Fácil tinham movimentado R$ 100 milhões na B3. Desse total, a PGA representou R$ 25 milhões, através de notas comerciais.

A entrada no mercado de capitais alarga as opções de financiamento da empresa num contexto de crédito dispendioso. Em vez de depender exclusivamente de capitais próprios e de financiamento bancário, a PGA passa a incluir a emissão de títulos entre as ferramentas para financiar a sua expansão.

Eduardo Malheiros, director do Grupo PGA, defende que o desafio passa agora por concretizar os projectos e sustentar o ritmo de crescimento sem fragilizar a estrutura da companhia. “Agora o desafio é transformarmos isto em realidade e conseguirmos crescer de forma sustentável, responsável, procurando sempre respeitar o mercado como deve ser”.

Segundo o responsável, alguns empreendimentos já se encontram em construção e deverão ser acrescentadas novas unidades ao portefólio da empresa nos próximos meses. “Há alguns hotéis em planos de expansão, alguns já estão em construção. Podemos dizer que, em menos de um ano, teremos mais anúncios”, afirmou Malheiros, referindo-se ao reforço da parceria com a Marriott.

Da hotelaria de Porto de Galinhas à B3

O percurso do Grupo PGA teve início em Porto de Galinhas, no litoral de Pernambuco. A empresa desenvolveu um empreendimento que viria mais tarde a passar por um processo de reposicionamento para acolher uma insígnia internacional.

A ligação à Marriott fez com que o hotel passasse a operar sob a marca Westin. O The Westin Porto de Galinhas tornou-se a primeira unidade da marca na região e integrou o portefólio da Marriott no Brasil. Foi também o primeiro hotel all-inclusive da Westin a nível mundial.

A opção pela empresa norte-americana integra a estratégia de expansão da PGA. Para Malheiros, a relação ultrapassou uma simples parceria comercial e passou a fazer parte do planeamento de longo prazo da empresa. “Sim, a parceria com a Marriott é de longa data. Uma parceria, diria eu, para toda a vida. Nós escolhemos a Marriott, a Marriott escolheu-nos e honramos muito esta parceria”, afirmou.

Este movimento coincide igualmente com uma alteração na escala de actuação da PGA. A empresa deixou de concentrar a sua actividade num único empreendimento de lazer e começou a estruturar uma carteira de hotéis em vários destinos e segmentos. A expansão reúne projectos de categoria mais elevada, associados à própria Westin, e empreendimentos City Express by Marriott, orientados para o segmento intermédio.

Westin chega à Paraíba

Entre os projectos em desenvolvimento encontra-se o The Westin João Pessoa, localizado no Polo Turístico Cabo Branco, na Paraíba. O empreendimento resulta de uma parceria entre a Westin Hotels & Resorts, a PGA Administradora de Hotéis e o Grupo Delta.

O projecto contempla um investimento superior a R$ 143 milhões e incluirá 168 quartos, 24 suites e dez villas. O hotel disporá ainda de spa, espaços para eventos e cinco restaurantes. A entrada em João Pessoa permite à PGA chegar a um novo mercado turístico e reforça a presença da marca Westin no Nordeste.

Em Porto de Galinhas, o grupo mantém igualmente investimentos no empreendimento que já está em funcionamento. Entre as intervenções previstas está a criação de novas estruturas e serviços no resort, integrada numa estratégia de actualização do produto e de alargamento da oferta para os hóspedes.

A orientação passa por continuar a investir mesmo nos activos já em exploração. Na perspectiva de Malheiros, a hotelaria exige uma política de renovação contínua. “A hotelaria é renovação diária. Não se pode ficar parado no tempo”, afirmou o executivo.

City Express prevê 30 hotéis

A segunda vertente da expansão está associada à City Express by Marriott. Em 2025, a Marriott International e a Fábrica de Hotéis anunciaram um acordo para desenvolver 30 hotéis da marca no Nordeste ao longo de 15 anos. O plano prevê investimentos superiores a R$ 1 mil milhões.

A marca posiciona-se na faixa intermédia do mercado hoteleiro, permitindo à Marriott avançar para cidades e destinos que não comportam necessariamente empreendimentos de luxo.

Os primeiros contratos começaram a ser celebrados em Porto de Galinhas. Posteriormente, foram anunciados outros projectos, incluindo unidades em Pernambuco e no Rio Grande do Norte.

Um dos empreendimentos em desenvolvimento é o City Express by Marriott Suape, em Pernambuco. O hotel contará com 178 quartos e integra a primeira vaga de projectos abrangidos pela parceria.

Está também planeado um City Express no Recife, com 200 quartos. O projecto reforça a presença da marca na capital de Pernambuco e aproxima a estratégia da Marriott dos mercados empresarial e de negócios.

Para a PGA, a diversificação diminui a exposição a um único destino e permite responder a diferentes perfis de procura. A companhia passa, assim, a operar em simultâneo nos mercados de lazer, negócios e turismo empresarial.

Marriott reforça aposta no Brasil

A expansão da PGA decorre em paralelo com um movimento mais abrangente da Marriott no Brasil. A empresa procura aumentar a sua presença no país, através de novos contratos em destinos turísticos, cidades de média dimensão e capitais.

O plano contempla tanto o crescimento de marcas que já operam no mercado brasileiro como a introdução de novas insígnias. A estratégia combina empreendimentos de luxo, hotelaria de gama intermédia e unidades dirigidas ao público empresarial.

No Nordeste, a aliança com a Fábrica de Hotéis constitui uma das frentes deste movimento. O acordo para 30 unidades City Express posiciona a região entre os principais mercados de expansão da companhia.

A participação de executivos da Marriott na cerimónia da PGA na B3 também evidenciou a importância da parceria para a estratégia de ambas as empresas. A companhia norte-americana acompanha o desenvolvimento dos projectos, enquanto a PGA recorre à captação de recursos para aumentar a sua capacidade de investimento.

Sob a perspectiva financeira, a operação na B3 representa mais do que uma captação pontual. A PGA passa a dispor de uma referência no mercado de capitais e de um novo instrumento para financiar futuros projectos.

Para o grupo pernambucano, a próxima etapa consiste em executar os empreendimentos já contratados, colocar novas unidades em funcionamento e expandir a carteira em parceria com a Marriott. “Agora o desafio é transformarmos isto em realidade e conseguirmos crescer de forma sustentável, responsável, procurando sempre respeitar o mercado como deve ser”, reforçou Malheiros.

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Miguel Ângelo Ferreira

Miguel Ângelo Ferreira é guia de natureza certificado e fotógrafo de paisagem, especializado no Parque Nacional da Peneda-Gerês e nos seus percursos pedestres. Dedica-se à divulgação responsável das cascatas, lagoas e trilhos do Gerês, aliando conhecimento do património natural local a práticas de turismo sustentável e seguro.

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