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Desastre de Tangiwai: como o Ruapehu matou 151 pessoas na Nova Zelândia

Comboio verde e amarelo numa ponte sobre rio revolto, com homem a acenar bandeira vermelha e montanha nevada ao fundo.
Neste artigo
  1. O que sucedeu na ponte de Tangiwai?
  2. Qual foi a origem da avalanche de lama e água?
  3. Porque não conseguiu o comboio travar a tempo?
  4. Quantas pessoas morreram no desastre de Tangiwai?
  5. Porque continua Tangiwai a ser recordada?

Na noite de Natal de 1953, um comboio que transportava centenas de pessoas atravessava a Ilha Norte da Nova Zelândia, sem que os passageiros imaginassem o que ocorrera minutos antes. Uma torrente de água, lama e pedras descera do vulcão Ruapehu e embatera na ponte de Tangiwai, colocando a composição perante uma armadilha quase imperceptível na escuridão.

O que sucedeu na ponte de Tangiwai?

A 24 de dezembro, o expresso nocturno que ligava Wellington a Auckland aproximava-se da ponte ferroviária sobre o rio Whangaehu. Momentos antes, uma corrente violenta atingira a estrutura e arrancara um dos seus pilares, tornando a travessia insegura precisamente quando o comboio estava prestes a chegar.

O maquinista accionou a travagem de emergência, mas a distância já não permitia imobilizar toda a composição. A locomotiva, o respectivo tender e as primeiras carruagens passaram sobre a secção destruída e caíram em direcção ao rio, cujas águas continuavam a arrastar lama, rochas e destroços.

Qual foi a origem da avalanche de lama e água?

A causa encontrava-se vários quilómetros mais acima, no monte Ruapehu. A água acumulada no lago da cratera era retida por materiais vulcânicos instáveis. Nessa noite, a barreira ruiu, libertando um enorme volume de água em direcção ao vale do rio Whangaehu.

Ao longo do percurso, a corrente foi agregando areia, silte, pedras, gelo e outros materiais, dando origem ao fenómeno denominado lahar. Quando alcançou Tangiwai, pouco depois das 22 horas, a massa embateu nos pilares da ponte com força bastante para a destruir parcialmente.

Porque não conseguiu o comboio travar a tempo?

Um dos episódios mais dramáticos ocorreu segundos antes do embate. Cyril Ellis, que se encontrava na zona, apercebeu-se de que algo não estava bem na ponte e correu para a linha, procurando avisar o maquinista com uma lanterna. O sinal foi visto, mas o comboio encontrava-se já demasiado perto da estrutura.

Os escassos minutos entre a passagem do lahar e a chegada do expresso converteram um fenómeno natural numa catástrofe ferroviária. A cronologia permite perceber como tudo se desenrolou num período extremamente curto.

  • A barreira que retinha a água do lago da cratera do Ruapehu cedeu na noite de 24 de dezembro.
  • O lahar desceu pelo rio Whangaehu, levando água, lama, pedras e outros detritos.
  • A corrente atingiu a ponte ferroviária e danificou a sua sustentação poucos minutos antes da passagem do comboio.
  • Após o alerta, o maquinista tentou travar, mas a composição não conseguiu parar antes de alcançar a parte afectada.

Veja o vídeo partilhado pelo canal de YouTube The Incredible Journey, que relata a história do pior desastre da Nova Zelândia.

Quantas pessoas morreram no desastre de Tangiwai?

O expresso levava a bordo 285 passageiros e tripulantes. No total, morreram 151 pessoas, um número que fez de Tangiwai o pior desastre ferroviário da história da Nova Zelândia. Algumas carruagens foram arrastadas, enquanto outras ficaram presas entre a água e os destroços dispersos pelo rio.

As operações de socorro começaram ainda durante a noite, envolvendo sobreviventes, habitantes locais, trabalhadores e militares. A tragédia deu-se na véspera de Natal e teve um enorme impacto no país, que acordou no dia seguinte perante uma das mais graves catástrofes da sua história moderna.

Porque continua Tangiwai a ser recordada?

O desastre evidenciou a forma como um risco vulcânico pode afectar áreas situadas muito para além da cratera de um vulcão. Após Tangiwai, foram instalados na região sistemas de alerta destinados a detectar novos lahars, fazendo também desta tragédia uma referência para a monitorização de cheias associadas ao Ruapehu.

Actualmente, recordar Tangiwai é perceber como bastam alguns minutos para separar uma viagem normal de uma catástrofe. Conhecer este episódio preserva a memória das 151 vítimas e sublinha uma mensagem urgente: interpretar os sinais da natureza e investir na prevenção pode evitar que um perigo silencioso volte a apanhar pessoas desprevenidas.

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Miguel Ângelo Ferreira

Miguel Ângelo Ferreira é guia de natureza certificado e fotógrafo de paisagem, especializado no Parque Nacional da Peneda-Gerês e nos seus percursos pedestres. Dedica-se à divulgação responsável das cascatas, lagoas e trilhos do Gerês, aliando conhecimento do património natural local a práticas de turismo sustentável e seguro.

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