Os passadiços de madeira que percorrem 12 quilómetros da frente marítima de Matosinhos, entre Leça da Palmeira e Lavra, acumulam queixas de quem os utiliza. Há traves elevadas, capazes de fazer tropeçar os peões, outras rachadas e instáveis, que parecem poder ceder com o peso de uma passagem, e ainda peças partidas ou afundadas. A degradação dos acessos às praias é outro dos problemas apontados.
Perante as reclamações dos utilizadores - que aumentam de ano para ano e totalizam 612 desde 2023, das quais 330 se registam atualmente, quatro vezes mais do que há três anos -, a Câmara de Matosinhos lançou uma nova empreitada de reabilitação. O investimento, de 1,1 milhão de euros, já decorre entre as praias da Boa Nova e do Aterro e será prolongado até à ponte sobre o rio Onda, na fronteira com Labruge, em Vila do Conde. A conclusão está prevista para julho de 2027. Na reunião pública do Executivo realizada na semana passada, a presidente da Câmara, Luísa Salgueiro, reconheceu que a zona dos passadiços "é uma das partes do concelho que mais gera reclamações".
Teresa e Joaquim Sousa, residentes em Paços de Ferreira, passeiam todas as semanas à beira-mar entre Leça e Perafita. O casal vê com bons olhos a intervenção e recorda que a requalificação dos passadiços "já há dois anos que era preciso", depois de os estragos lhes terem provocado "algumas topaditas" em traves deformadas. "Havia tábuas grossas empenadas, porque torcem com o tempo, e algumas estavam levantadas. Era preciso um arranjo porque, ao passarmos, elas abanavam todas", relata Joaquim Sousa.
Junto à praia Azul, em frente à Capela da Boa Nova, o casal para diante de uma das pilhas de madeira retiradas daquele segmento, onde serão instaladas traves novas. Teresa Sousa conta ao JN: "Neste verão, isto estava mesmo muito estragado e, ao andar, tínhamos de ter cuidado para não meter o pé em buracos. Eu até dizia que a Câmara devia fechar esta parte, porque não estava em boas condições de segurança". A utilizadora lembra também que "no verão não se passava no passadiço junto ao café [Xiringuito], porque colocaram umas fitas", na sequência de um aluimento. Os danos, acrescenta, prolongam-se pelo trajecto habitual, "até junto do campo de futebol", na área da Aldeia Nova, no Cabo do Mundo.
Falta de manutenção nos passadiços de Matosinhos
É nessa zona que Márcia Magalhães caminha com as filhas, durante um dos passeios à beira-mar da família, residente em Santa Cruz do Bispo. Na sua avaliação, "Os passadiços não estão em mau estado, estão péssimos. Então na zona de Angeiras está mesmo muito mau". A utilizadora defende que "devia haver manutenção durante o ano todo".
"Isto ficou pior desde o último inverno, porque as intempéries pioraram tudo. E na praia do Aterro também piorou muito depois do [festival] Meo Marés. Temos de andar a olhar sempre para o chão - as traves que estão partidas veem-se, mas as que estão soltas só se notam quando lhes pomos o pé em cima".
Crescem os pedidos de intervenção
Nos passadiços de Matosinhos foram registados 85 pedidos de intervenção em 2023. O total aumentou para 96 no ano seguinte e chegou aos 101 em 2025. Este ano, as reclamações ascendem já a 330. Na reunião do Executivo de dia 30, Luísa Salgueiro identificou a circulação indevida de bicicletas nos passadiços, onde são proibidas, como "uma das razões principais" para os danos nas estruturas de madeira.
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Bicicletas à parte
Para reduzir a utilização indevida de bicicletas nos passadiços, a autarquia criou este ano a Ciclovia do Litoral Norte, com oito quilómetros ao longo da costa. A obra, que também abrangeu a requalificação de parte dos passadiços, representou um custo de 1,5 milhões de euros e fica concluída até dezembro.
Mobilidade reduzida
No ano passado, o Município investiu 450 mil euros para criar condições de acesso às praias destinadas a pessoas com mobilidade reduzida, incluindo percursos adaptados, passadeiras sobre o areal e instalações sanitárias.






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